A montagem em Interlagos dura cerca de três semanas e envolve até 1.300 toneladas. A logística chega antes dos carros e despacha tudo na sequência para 23 destinos em cinco continentes.
A corrida do Grande Prêmio de São Paulo, em Interlagos, durará menos de duas horas no próximo domingo (8), mas a montagem da infraestrutura que torna o evento possível levará cerca de três semanas. Esse é o período que a equipe de logística dedica em cada etapa do calendário da Fórmula 1.
A empresa responsável pela operação chega aos circuitos antes dos carros e, assim que a bandeira quadriculada cai, organiza o despacho imediato para a etapa seguinte. Na temporada de 2026, segundo a empresa, são até 1.300 toneladas de carga distribuídas entre 23 destinos em cinco continentes, incluindo os carros, equipamentos de TV e a estrutura de hospitalidade.
Para a etapa brasileira, a movimentação concentra-se em Viracopos, em Campinas. Desde 28 de outubro, nove voos cargueiros, a começar por um Boeing 777, trazem cerca de 800 toneladas de material. Esse volume segue por estrada até Interlagos em carretas que, por causa do alto valor dos equipamentos, saem do aeroporto com escolta, segundo a DHL.
É a 25ª vez seguida que o aeroporto recebe e despacha a Fórmula 1. Na sequência da temporada, outros nove voos levarão toda a carga para Las Vegas, onde a corrida acontece em 22 de novembro.
Quem coordena a logística nos circuitos é Giorgia Tirabassi, gerente de operações de logística da DHL no automobilismo. Ela comanda uma equipe de 50 especialistas que se revezam entre as provas e executam tarefas que vão desde operar empilhadeira até montar paletes para avião e encher contêineres. O trabalho muitas vezes prossegue madrugada adentro, seja sob calor intenso ou em condições de temporal, e envolve deslocamentos constantes.
“O calendário das corridas não muda, por isso precisamos encontrar uma maneira de realizar as entregas”
Tirabassi estima passar mais de 200 dias por ano fora de casa. O calendário de 2026 aperta ainda mais com cinco rodadas duplas e três triplas, em que as corridas acontecem em fins de semana consecutivos, exigindo logística de alta precisão e turnos de montagem e desmontagem reduzidos.
Em termos de sustentabilidade, em 2025 o combustível de aviação sustentável (SAF) usado nos voos fretados da categoria evitou cerca de 20 mil toneladas de CO₂ equivalente, segundo a empresa. O índice é citado como parte das medidas adotadas para reduzir a pegada de carbono nas operações aéreas da temporada.
“Muitas vezes, nosso trabalho passa despercebido, mas sabemos que, se as equipes conseguiram correr, significa que fizemos o nosso trabalho”
O sucesso operacional, portanto, é medido pela capacidade de manter a sequência de etapas do calendário: chegada antecipada, montagem em semanas e despacho imediato para o próximo destino.





