Em 2026 a Fiat marca meio século no país. A montadora também teve um capítulo nos caminhões, herdando parte da história da FNM (Fenemê), mas sem igualar o sucesso dos automóveis.
Em 2026, a Fiat celebra 50 anos de presença no Brasil, destacando-se como uma das principais fabricantes de automóveis do país. No entanto, a marca italiana também se aventurou na produção de caminhões, uma trajetória que não alcançou o mesmo sucesso que seus automóveis de passeio.
A história da Fiat no setor de caminhões remonta à antiga Fábrica Nacional de Motores (FNM), conhecida como “Fenemê”. A FNM foi estabelecida em 13 de junho de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, inicialmente para a fabricação de motores de aviões. Com o fim do conflito, a empresa passou a produzir caminhões pesados, tornando-se a primeira indústria automobilística do Brasil em 1949.
O lançamento do FNM D-7300, em 1949, marcou um importante passo na história da FNM. Este caminhão, baseado no Isotta Fraschini D.80, foi o primeiro modelo produzido em série no Brasil, apresentando um motor diesel de 7,3 litros e 100 cv, com capacidade de carga de 8 toneladas.
Após a falência da Isotta Fraschini, a FNM formou uma parceria com a Alfa Romeo, que resultou no lançamento de caminhões icônicos, como o FNM D-9500, em 1952. Este modelo, com motor diesel de 130 cv, tinha capacidade para 8,1 toneladas de carga, aumentando para 14 toneladas quando atrelado a uma carreta.
Em 1968, a FNM foi privatizada e adquirida pela Alfa Romeo, que, por sua vez, foi controlada pela Fiat em 1973. A Fiat, ao assumir o controle da FNM, planejou expandir sua presença no Brasil através da produção de caminhões.
Em 1976, a Fiat apresentou o Fiat 130, um caminhão médio que trouxe inovações significativas, como motor de seis cilindros e cabine avançada. O modelo FNM 190 também começou a incorporar elementos do design italiano, mas ainda mantinha características da era FNM.
Com a criação da Fiat Diesel Brasil S.A. em 1977, a marca começou a operar sob a nova razão social, promovendo uma renovação em sua linha de caminhões. Novos modelos como o Fiat 80, 120 e 140 foram introduzidos, enquanto o pesado 190 ganhou a versão 190H, que oferecia maior conforto e modernidade.
No entanto, a Fiat enfrentou sérios desafios logísticos e operacionais no Brasil, incluindo uma rede de concessionárias limitada e problemas no fornecimento de peças. A confiança do mercado em relação à durabilidade dos caminhões Fiat também era baixa, agravada por conflitos trabalhistas na fábrica de Xerém (RJ).
Apesar das tentativas de modernização, a aceitação dos caminhões Fiat não melhorou, e em junho de 1985, a marca decidiu interromper a produção de caminhões, após apenas nove anos de operação. A maioria do maquinário foi vendida, e a fábrica de Xerém foi adquirida pela Ciferal.
Embora a Fiat Diesel tenha operado por um período relativamente curto, seus caminhões ainda são lembrados nas estradas brasileiras como modelos robustos e raros.







