A Ford aumentou metas de durabilidade de motores e transmissões após análise de reclamações e testes internos. Charles Poon, VP de Engenharia, afirma que a aposta é reforçar a confiabilidade do conjunto mecânico.
A Ford anunciou uma ambiciosa elevação em sua meta de durabilidade para motores e câmbios, aumentando o objetivo de 10 anos e 241 mil km para 15 anos e 362 mil km de funcionamento sem falhas. Essa mudança, segundo a montadora, é fruto da análise de reclamações de clientes e dos resultados de testes internos, buscando aprimorar a confiabilidade de seus veículos.
Charles Poon, vice-presidente de Engenharia de Hardware Veicular da Ford, destacou que a percepção de qualidade é definida pelo conjunto mecânico, que desempenha a função primária do carro. Em suas palavras, “Qualidade não é marketing nem moda passageira. Qualidade é fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está olhando”. Para alcançar essa nova meta, a engenharia da Ford utiliza testes rigorosos, nos quais motores são retirados da linha de montagem e submetidos a ciclos intensivos de partida e parada, além de arrancadas com o acelerador totalmente acionado.
Um aspecto central dessa abordagem é o chamado teste de impressão digital, que envolve desmontagens diárias de motores na fábrica de Essex. Neste procedimento, os engenheiros não apenas inspecionam as peças, mas também analisam o óleo em busca de traços microscópicos de desgaste. Essa análise detalhada permite identificar se uma válvula ou engrenagem específica está se desgastando mais rapidamente do que o esperado.
A inteligência artificial desempenha um papel crucial nos testes, já que os resultados físicos geram centenas de curvas de dados diariamente, que podem conter desvios minúsculos que não são visíveis a olho nu. O software de IA consegue identificar padrões normais e detectar anomalias em potencial. A frequência e a precisão dos testes são fundamentais, como ressaltou Poon, salientando que uma amostragem mais frequente ajuda a estabilizar a qualidade dos produtos que saem da linha de montagem.
Quando um problema é identificado, o lote é retido e o componente passa por um redesenho antes de ser disponibilizado ao mercado, na tentativa de evitar acionamentos de garantia em um horizonte de três a dez anos. Essa nova estratégia surge após a Ford ter reconhecido desafios em sua qualidade no mercado norte-americano, levando a empresa a recontratar engenheiros veteranos que orientam os mais jovens na análise dos dados, além de manter mais de 100 mil testes automatizados com o auxílio da IA.
A abordagem da Ford se distingue da de outras montadoras, como a Nissan, que tem utilizado algoritmos para acelerar o desenvolvimento de novos modelos. A Ford, por sua vez, foca na longevidade e durabilidade do conjunto mecânico, refletindo uma prioridade em garantir a satisfação e a confiança dos consumidores em seus veículos.





