O GAC GS3 abriu a segunda fase de lançamentos da montadora chinesa no Brasil e estreia como o primeiro utilitário esportivo a combustão da marca no país. A estratégia é direta: entrar no segmento de SUVs compactos brigando por preço. Nas concessionárias, o modelo parte de R$ 139.990, valor que fica abaixo das versões de entrada de Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross e Honda HR-V.
Concorrência e tabela de preços
Com o valor inicial, o GS3 encosta em veículos de categoria inferior e se distancia dos rivais imediatos. A relação atual de preços é a seguinte:
• Fiat Pulse Impetus Turbo – R$ 151.490;
• Renault Kardian Iconic – R$ 149.990;
• Volkswagen Tera Highline – R$ 144.390;
• Honda HR-V EX – R$ 166.400;
• Hyundai Creta Comfort Safety – R$ 156.590;
• Volkswagen T-Cross Sense – R$ 161.490.
Mecânica mais potente que a média
O SUV chinês recorre a um motor 1.5 turbo de 170 cv e 27,5 kgfm, enquanto a maioria dos concorrentes utiliza blocos 1.0 turbo. O propulsor é ligado a um câmbio de dupla embreagem, banhado a óleo, com sete marchas. Nas saídas de semáforo, a entrega de torque a 1.500 rpm garante agilidade, mas, em retomadas a partir de 60 km/h, há cerca de dois segundos de atraso na resposta. De acordo com o diretor de engenharia da GAC, Leonardo Lukacs, o retardo foi calibrado para atender às normas brasileiras de emissões.
Estilo externo e espaço
Linhas retas, luzes diurnas angulares e difusores cromados formam a assinatura visual do GS3, que se esforça para transmitir esportividade. O porta-malas, porém, é de 341 litros, menor que o de Volkswagen Tera (350 l), Fiat Pulse (370 l) e Renault Kardian (410 l). Em compensação, o banco traseiro oferece bom espaço para pernas; um passageiro de 1,90 m não encosta os joelhos no assento dianteiro, e o túnel central quase plano ajuda a acomodar três ocupantes.
Interior e tecnologia
A cabine mescla materiais macios em grande parte das superfícies com peças plásticas de diferentes texturas. No centro do painel, a multimídia de 14,5 polegadas é levemente inclinada em direção ao motorista, solução inspirada em modelos da Peugeot. Um quadro de instrumentos digital de sete polegadas completa o conjunto.
Botões físicos para climatização permanecem presentes, raridade entre os SUVs mais novos. Eles têm textura tátil e ficam posicionados ao alcance da mão. A tela responde rápido, mas falta comando de volume dedicado para o passageiro; o ajuste é feito deslizando o dedo na própria central, ocultando parte do mapa. Ao acionar a seta, câmeras laterais exibem os pontos cegos — sistema semelhante ao oferecido pela Honda —, o que também interrompe a navegação até que a imagem seja desabilitada.
Dirigibilidade e ajustes
No asfalto, o utilitário se mostra mais firme que a maioria dos modelos chineses, aproximando-se do padrão da Volkswagen em termos de suspensão. Entretanto, a direção elétrica é demasiadamente leve em qualquer velocidade, característica que facilita balizas mas pode transmitir pouca confiança a 40 km/h ou mais.
Apesar do visual esportivo, o SUV não permite trocas manuais de marcha, recurso ausente por decisão de projeto. Segundo a engenharia da GAC, o hardware comporta a função caso exista demanda futura. As ponteiras cromadas no para-choque traseiro também são apenas decorativas; a saída real de escape fica apontada para baixo para facilitar a aprovação no teste de ruído de passagem (pass-by noise) exigido pelo Contran e pelo Ibama.
Comparativos diretos
Quando confrontado com modelos de apelo esportivo, como o Volkswagen Nivus GTS (R$ 189.690), o GS3 mostra aceleração inicial superior e preço bem menor. Na versão Elite, o chinês custa R$ 159.990. Mesmo assim, perde em capacidade de bagagem e em ajustes de direção.
Pontos fortes e fracos
Preço competitivo, motor mais potente que a média do segmento, acabamento interno de boa qualidade e pacote tecnológico com câmeras 360° formam o principal atrativo do GAC GS3. O baú pequeno, a demora em retomadas e a ausência de trocas manuais de marcha compõem os principais contras. Esses fatores serão decisivos para consumidores que precisam de espaço extra ou priorizam condução mais esportiva.
Com essa combinação, o modelo chinês pretende balançar o segmento dominado por Hyundai, Volkswagen e Honda, disputando clientes que buscam um SUV compacto com valor mais baixo sem abrir mão de desempenho e conteúdo.
Com informações de G1





