O valor médio do litro de diesel vendido no Brasil alcançou R$ 7,22 na quarta-feira, 19 de março, de acordo com monitoramento da TruckPag, empresa especializada em gestão de frotas. O patamar representa aumento de 25% em relação ao registrado em 28 de fevereiro, início da escalada de tensão no Oriente Médio, quando o combustível custava R$ 5,74, em média.
Levantamento envolve mais de 4,6 mil postos
Os números foram apurados a partir de 143 mil transações realizadas em 4.664 postos de abastecimento espalhados pelo país, dos quais 94% localizam-se em rodovias. Segundo a TruckPag, 81,9% das compras registradas no período foram efetuadas por caminhões.
Dados da ANP mostram alta de 11% na última semana
Na semana anterior, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) identificou elevação de 11% no preço do diesel frente à semana precedente. O órgão federal coleta preços nos três primeiros dias úteis de cada semana e divulga o resultado, em geral, na sexta-feira, o que gera atraso em cenários de variação acentuada.
“Num choque como esse, com avanço diário próximo de 1%, o intervalo entre coleta e divulgação faz diferença”, afirma Kassio Seefeld, presidente da TruckPag. O executivo calcula que, desde 28 de fevereiro, o litro do diesel subiu cerca de R$ 1,50 na média nacional.
Estados com maiores reajustes
Entre o fim de fevereiro e 19 de março, algumas unidades da federação registraram aumentos expressivos:
- Tocantins – alta de 37,1%;
- Santa Catarina – 29,9%;
- Goiás – 29,2%;
- Piauí – 28,0%;
- São Paulo – 27,0%.
Tensão no Oriente Médio pressiona mercado
O conflito no Oriente Médio provocou disparada na cotação internacional do petróleo e de seus derivados. Ataques a refinarias e reservas, além do impasse no Estreito de Ormuz, elevaram o preço do barril em cerca de 80% em apenas 20 dias. Como aproximadamente 30% do diesel consumido no Brasil é importado e precificado no exterior, o encarecimento é repassado às distribuidoras, aos postos e, por fim, aos transportadores.
Efeitos na economia e medidas do governo
Por ser o principal combustível do transporte de cargas, o diesel tem impacto direto no valor de alimentos, insumos industriais e serviços. Especialistas ouvidos pela TruckPag estimam que a pressão sobre a inflação poderá aparecer dentro de um mês, dependendo da duração do conflito e de eventuais restrições no Estreito de Ormuz.
Para conter a alta, o governo federal anunciou redução de tributos e um subsídio de R$ 0,32 por litro. Até o momento, contudo, essas iniciativas ainda não se refletem no preço cobrado nas bombas.
O mercado segue monitorando a evolução da guerra e as possíveis repercussões no abastecimento mundial de petróleo, enquanto caminhoneiros e demais setores dependentes do diesel tentam se adaptar aos novos custos.
Com informações de G1





