Publicações que circulam nas redes sociais desde o início de março afirmam que a BYD, montadora chinesa que assumiu o antigo complexo da Ford em Camaçari (Região Metropolitana de Salvador), teria contratado 10 mil cidadãos chineses para trabalhar no local e formar uma “cidade própria”. A informação foi checada e classificada como falsa.
O que dizem os vídeos
As postagens, principalmente em formato de vídeo, exibem imagens de canteiros de obras e alojamentos e sugerem que milhares de estrangeiros teriam desembarcado na Bahia. Entre os que impulsionaram o boato estão o deputado estadual Leandro de Jesus (PL-BA) e a comentarista Karina Michelin, que falaram em “invasão chinesa” e em suposto acordo entre autoridades brasileiras e a companhia.
Pronunciamento da empresa
Consultada pelo jornal O Globo, a BYD negou qualquer plano de levar contingentes de trabalhadores da China para o Brasil. Segundo a companhia, o número de 10 mil se refere à previsão total de empregos gerados até 2026, majoritariamente destinados a brasileiros. Hoje, o complexo reúne aproximadamente 3,2 mil funcionários locais diretamente ligados à operação, além de 3,7 mil empregados de empreiteiras, também brasileiros. Com novas contratações previstas, o total deve chegar perto de 10 mil postos até o fim de 2026.
Posição do governo baiano
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia reforça que o contrato firmado com a BYD exige, no mínimo, 70% de mão de obra nacional. O próprio balanço divulgado pelo Estado mostra desempenho acima da meta: em 2025, 93% dos 4.409 trabalhadores diretos e terceirizados eram brasileiros, superando a projeção anual de 3.500 vagas.
Especialistas e técnicos estrangeiros
Por ser uma multinacional, a BYD admite contar com alguns engenheiros e técnicos vindos da matriz para transferência de tecnologia, prática considerada comum em projetos industriais de grande porte. Contudo, essa presença pontual não configura migração em massa, tampouco substituição do contingente local.
Irregularidades trabalhistas investigadas
Parte das postagens também relaciona a construção do complexo a denúncias de trabalho análogo à escravidão. Os casos citados ocorreram em dezembro de 2024, quando 163 trabalhadores foram resgatados em um alojamento e 471 chineses foram identificados em situação irregular. Após autuação do Ministério Público do Trabalho, BYD e empreiteiras assinaram acordo judicial no valor de R$ 40 milhões. As irregularidades, embora graves, não têm ligação com a narrativa de envio maciço de novos trabalhadores estrangeiros.
Estruturas mostradas nos vídeos
As filmagens que viralizaram exibem alojamentos erguidos para hospedar funcionários vinculados às obras. De acordo com a montadora, esses espaços destinam-se majoritariamente a brasileiros recrutados por meio de canais como SineBahia, CIAT e plataformas de emprego.
Conclusão
Não há qualquer evidência de que 10 mil chineses tenham sido contratados para atuar em Camaçari. O número corresponde, na verdade, à expectativa de geração de vagas para trabalhadores brasileiros nos próximos anos, conforme dados oficiais da BYD e do governo da Bahia.
Com informações de G1





