Batizada F40 Valeo (chassi ZFFGJ34B000079883), foi adaptada devido a uma lesão na perna esquerda do proprietário. Vendida em 2008 por €418.000, vale hoje cerca de R$2,5 milhões.
Das cerca de 1.300 unidades da Ferrari F40 produzidas entre 1987 e 1992, uma única saiu de Maranello sem pedal de embreagem. Batizada de F40 Valeo, com chassi ZFFGJ34B000079883, ela foi encomendada em 1989 por Gianni Agnelli e vendida em leilão em 2008 por € 418.000 — cerca de R$ 1,1 milhão pelo câmbio da época, ou R$ 2,5 milhões pela conversão de hoje.
O contexto da encomenda explica a alteração técnica: Agnelli, presidente do Grupo Fiat entre 1966 e 1996, sofria de uma lesão na perna esquerda causada por um acidente de carro e tinha dificuldade para acionar a embreagem. Como o grupo controlava metade da Ferrari desde o fim dos anos 1960, o pedido chegou a Maranello com peso, e Enzo Ferrari, morto em agosto de 1988, já não estava presente para vetá-lo. A fábrica recorreu à francesa Valeo para adaptar o câmbio manual de cinco marchas.
Vista de dentro, a F40 Valeo preserva a aparência das demais F40: a alavanca mantém a tradicional grade metálica com as marchas. A diferença está na operação do conjunto. A embreagem passou a ser acionada eletronicamente por uma central que fazia o engate e o desengate em menos de 100 milissegundos, sem intervenção do motorista. O sistema também impedia a seleção de marchas muito altas ou muito baixas e travava a partida fora das condições adequadas, funções que limitavam erros de uso sem alterar o esquema mecânico básico do câmbio.
Em termos de conjunto mecânico, a F40 Valeo manteve o V8 2.9 biturbo montado longitudinalmente atrás do motorista, com 478 cv e 58,8 kgfm, sobre uma carroceria de aproximadamente 1.100 kg. A versão convencional declarava 323 km/h de velocidade máxima e 0 a 100 km/h em 4,4 segundos; a unidade adaptada pela Valeo ficou marginalmente mais pesada e a Ferrari não divulgou números oficiais específicos para ela. Esteticamente, a unidade se distinguiu pelo revestimento interno preto em vez do vermelho de série, alavanca de alumínio e acendedor de cigarros.
O exemplar foi pouco utilizado. Quando o segundo proprietário o adquiriu numa concessionária de Turim, o odômetro marcava pouco mais de 600 km. Ao longo do tempo, a F40 Valeo teve apenas três donos: Gianni Agnelli, o comprador de Turim e o vencedor do leilão de 2008, que segue com o carro.
A adaptação da Valeo não foi inédita na relação entre as partes: anos antes da F40, havia sido encomendada uma solução similar para uma Testarossa, e a satisfação com aquele projeto levou a Ferrari a autorizar a repetição da intervenção na F40. Desde a venda de 2008, o mercado de clássicos mudou de patamar: o recorde atual para uma F40 é de US$ 8,3 milhões — o equivalente a cerca de R$ 43 milhões — pagos por um exemplar de 1991 leiloado em Monterey.
A curiosidade sobre a F40 Valeo alcançou também o mercado de miniaturas: a fabricante italiana BBR Models lançou uma miniatura 1:18 do carro, limitada a 60 unidades, ao preço de € 426,39 — equivalente a aproximadamente R$ 2.520.












