Pedido da GM, levado a reguladores em Brasília, visa liberar importação de picapes e SUVs grandes fabricados nos EUA, hoje barrados pela legislação brasileira. Empresa cita Chile e Uruguai como exemplos.
A General Motors pediu ao governo brasileiro que o país passe a aceitar o padrão técnico norte-americano de homologação veicular. A mudança abriria caminho para a importação de picapes e SUVs grandes fabricados nos Estados Unidos, hoje barrados pela legislação nacional. A informação foi divulgada.
Segundo Fábio Rua, vice-presidente de Políticas Públicas, Comunicação e ESG da GM América do Sul, a empresa já apresentou o pedido a reguladores em Brasília e cita Chile e Uruguai como exemplos de países que já reconhecem as normas dos EUA.
“Se o Brasil passa a aceitar um padrão e dar essa horizontalidade na questão regulatória, você tem condições de trazer carros americanos pra cá”
A companhia estima importar cerca de 3.000 veículos por ano caso o pleito avance, sobretudo picapes, segundo a mesma fonte.
O debate técnico gira em torno das diferenças entre os regimes de homologação. No Brasil, um modelo só recebe o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), emitido sob regras do Contran, depois de comprovar desempenho em ensaios de laboratórios acreditados pelo Inmetro. Esse conjunto de exigências foi construído com base nos regulamentos da ONU (UNECE), alinhados aos adotados na Europa.
Já os Estados Unidos aplicam as normas FMVSS, em que a própria fabricante se autocertifica perante a agência reguladora norte-americana. A divergência aparece em capítulos específicos: os testes de impacto usam protocolos diferentes — o padrão europeu recorre a barreira deformável com sobreposição parcial, enquanto o americano privilegia a colisão frontal plena, inclusive com bonecos sem cinto.
Em iluminação, veículos seguem cores distintas: carros dos EUA costumam trazer setas traseiras vermelhas, combinadas à luz de freio, enquanto a norma brasileira exige a cor âmbar. Em emissões, o Proconve L7 e L8 se espelha no Euro 6, não nos limites da EPA americana; além disso, a gasolina brasileira, com 27% de etanol, exige calibração específica para motores importados.
Algumas flexibilizações já existem: a Resolução 970/2022 do Contran aceita ensaios feitos sob a FMVSS como alternativa no capítulo de iluminação, mas lacunas técnicas permanecem para a total equivalência entre os padrões.
Modelos que ficaram de fora ilustram o problema. O Cadillac Escalade — SUV de até 5,76 m de comprimento — foi certificado apenas segundo a FMVSS e ficou fora do relançamento da marca no Brasil, que ocorreu com os elétricos Optiq, Lyriq e Vistiq homologados individualmente. Também foram citadas como entrave as picapes GMC Sierra 2500 e 3500 a diesel.
No passado, Camaro e Bolt EV chegaram atendendo às normas de origem europeia, e a atual Silverado é importada do México em configuração exclusiva para o mercado brasileiro. O pedido da GM se soma a outro movimento estratégico: levar a Buick ao Brasil a partir da China. Pelo novo plano da SAIC-GM, cujo contrato foi renovado até 2047, a joint venture passa a exportar veículos eletrificados a mercados selecionados, entre eles a América do Sul.





