Dois 737 MAX 8 zero-quilômetro da Gol, PS-GRM e PS-GRN, foram devolvidos após falhas nos motores CFM LEAP-1B e seguiram para sucata. As aeronaves chegaram em 2025: uma entregue em setembro e outra em novembro.
A companhia aérea Gol enfrenta uma situação inusitada ao descartar dois Boeing 737 MAX 8 recém-adquiridos. As aeronaves, que chegaram à empresa em 2025, passaram a apresentar problemas significativos logo após a entrega, resultando em sua devolução e eventual destinação como sucata.
O primeiro jato, de matrícula PS-GRM, teve seu voo inaugural em julho de 2025 e foi entregue em setembro do mesmo ano. O outro, PS-GRN, voou pela primeira vez em outubro e foi entregue em novembro. Apesar de serem aviões zero-quilômetro, ambos logo apresentaram problemas relacionados aos motores CFM LEAP-1B e ao centro de gravidade, forçando a Gol a retirar as aeronaves de operação em fevereiro de 2026.
Após serem levados ao centro de manutenção da Gol no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, os jatos permaneceram parados por cerca de sete semanas. Durante esse período, foi constatado que ambos apresentavam desempenho abaixo do esperado, necessitando de reparos que superavam as expectativas normais para aeronaves tão novas.
“Performance abaixo do esperado”, afirmaram fontes próximas à questão.
Devido ao acúmulo de problemas, a Gol optou por não investir mais na recuperação das aeronaves. Assim, os jatos foram transferidos para o Pinal Airpark, no Arizona, um local conhecido por ser um dos maiores “cemitérios de aviões” do mundo. Lá, as aeronaves serão desmontadas e suas peças revendidas, tornando-se itens raros no mercado, dada a sua condição quase nova.
Curiosamente, os dois Boeing 737 MAX são os primeiros desse modelo a serem desmanchados por decisão de uma companhia aérea, o que gerou expectativas de que suas peças possam ser comercializadas como componentes de “primeira mão”. Além disso, a Boeing enfrenta questões legais relacionadas aos defeitos apresentados nas aeronaves, embora a fabricante ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre o assunto.
O Boeing 737 MAX, desde seu lançamento em 2017, tem um histórico conturbado. O modelo foi envolvido em duas tragédias significativas: a queda do voo da Lion Air, em outubro de 2018, e o acidente da Ethiopian Airlines, em março de 2019, que resultaram na morte de 346 pessoas. Essas tragédias levaram a investigações que apontaram falhas no sistema automatizado MCAS e resultaram na proibição total do modelo em voos ao redor do mundo entre 2019 e 2020. O modelo voltou a ser alvo de atenção em janeiro de 2024, quando um incidente envolvendo um jato da Alaska Airlines levantou novas preocupações sobre a qualidade da linha de montagem da Boeing.





