A Honda Motor Co. revelou seu primeiro prejuízo anual desde que passou a ser negociada em bolsa, há quase sete décadas. A montadora japonesa estima perda de US$ 3,6 bilhões (aproximadamente R$ 18,5 bilhões) no exercício que se encerra em março de 2026, segundo informações divulgadas pela agência Reuters.
Reestruturação de carros elétricos pesa no resultado
O rombo bilionário é atribuído principalmente a uma reavaliação de US$ 15,7 bilhões (R$ 80,9 bilhões) em sua estratégia para veículos elétricos (EVs). Como parte dessa revisão, a empresa cancelou três modelos que seriam montados nos Estados Unidos, decisão que interrompeu planos de expansão na fábrica de Marysville, Ohio. A Honda citou a “forte queda” na demanda global por EVs como fator determinante para rever investimentos e metas na área.
A retração também se estendeu ao mercado chinês, onde a empresa vem perdendo terreno para concorrentes locais, entre eles a BYD, que oferece modelos elétricos considerados mais avançados. Essas dificuldades agravaram o cenário financeiro e acabaram revertendo uma projeção anterior de lucro de cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões).
Impacto nas ações e resposta da liderança
Logo após a divulgação dos números preliminares, os papéis da Honda negociados em Nova York recuaram 8% durante o pré-mercado. Para sinalizar contenção de despesas, o presidente-executivo Toshihiro Mibe e o vice-presidente Noriya Kaihara anunciaram que abrirão mão de 30% dos salários pelos próximos três meses. Outros membros da alta gestão também participarão do esforço, com cortes salariais em torno de 20%.
Surpresa no mercado
Analistas já previam algum impacto resultante da mudança nos planos de eletrificação, mas o montante divulgado superou expectativas. “O ponto mais inesperado foi o cancelamento total da produção nos Estados Unidos, não apenas a redução”, avaliou Julie Boote, da consultoria Pelham Smithers Associates, em entrevista à Reuters. Segundo ela, a Honda mantinha metas “ambiciosas” para ampliar o portfólio de elétricos, metas agora comprometidas pela nova realidade de mercado.
Mesmo com as revisões, a empresa não detalhou se pretende retomar projetos de veículos elétricos em outra escala nem forneceu um novo cronograma para futuras iniciativas nesse segmento. Por ora, o foco será ajustar custos, preservar caixa e redefinir prioridades tecnológicas ante um cenário de vendas abaixo do previsto.
O balanço oficial com os resultados completos deve ser apresentado até o fechamento do ano fiscal, no fim de março.
Com informações de G1





