A Willys, fundada por John Willys em 1908, destacou-se como o segundo maior fabricante de automóveis dos Estados Unidos entre 1912 e 1918, superada apenas pela Ford. A empresa superou a Grande Depressão de 1929 e, em 1941, firmou um contrato com o Exército para a produção do icônico Jeep. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Willys direcionou seu foco para o mercado civil, lançando modelos como o Jeep Station Wagon, a picape Jeep Truck e o elegante Jeepster.
O Jeepster, idealizado pelo designer Brooks Stevens, foi concebido como um conversível voltado para o lazer e para conquistar o consumidor urbano. Este modelo se destacou por ser o último carro americano a apresentar uma carroceria no estilo Phaeton, contando com cortinas laterais de plástico que protegiam o interior das intempéries.
Desenvolvido sobre o chassi do Jeep CJ-2A, o Jeepster possuía um entre-eixos de 104 polegadas, significativamente maior que o seu irmão voltado para o campo. A viabilidade técnica do projeto ficou a cargo de Delmar “Barney” Roos, vice-presidente de engenharia da Willys-Overland, que implementou diversas melhorias estruturais no chassi.
O design do Jeepster trazia um capô longo e uma traseira curta, referências à estética dos esportivos europeus que eram admirados pelos veteranos de guerra. O modelo era ornamentado com uma profusão de cromados, incluindo para-choques, calotas e frisos, além de opções de pintura em dois tons, como amarelo e preto ou azul e creme, que eram bastante populares.
A suspensão dianteira independente Planadyne proporcionava um conforto de rodagem inusitado para um veículo desse tipo, embora a tração fosse limitada ao eixo traseiro. Sob o capô, o Jeepster contava com o motor de quatro cilindros “Go Devil”, de 2,2 litros, que entregava 63 cv a 4.000 rpm. Uma opção de motor de seis cilindros, o Lightning, com 2,4 litros, foi apresentado em 1949, oferecendo 72 cv a 4.000 rpm.
Apesar de seu charme e sofisticação, como pneus com faixas brancas e um estepe continental no para-choque traseiro, o Jeepster não conquistou o público. No total, foram produzidas 19.000 unidades entre 1948 e 1950, e os últimos exemplares foram vendidos em 1951. Um dos modelos, de posse do cantor Neil Young há quase 60 anos, ainda é utilizado pelo artista.
O Jeepster retornaria ao mercado 15 anos depois, sob a iniciativa da Kaiser Jeep, que resultou da fusão da Willys-Overland com a Kaiser Motors. Com o nome Jeepster Commando, o modelo foi baseado no CJ-6 e recebeu tração 4×4, visando competir com rivais como International Harvester Scout e Ford Bronco.












