Lançada em 1981, a versão a diesel prometia economia e carga superior a uma tonelada. Problemas de mercado, preço e posicionamento tornaram o modelo um fracasso comercial.
No início dos anos 80, mais precisamente em 1981, a Volkswagen anunciou o lançamento da Kombi Diesel, uma versão que prometia versatilidade e economia. Disponível nas versões Standard e Luxo para transporte de passageiros, além das configurações de picape cabine simples e cabine dupla, o veículo tinha como objetivo atender tanto pequenos comerciantes quanto grandes empresas, com uma capacidade de transporte superior a uma tonelada.
Em teoria, a Kombi Diesel deveria ser um produto atraente. Ela era mais acessível do que muitas picapes disponíveis no mercado e oferecia uma versatilidade impressionante para a época. A Volkswagen ampliou suas vantagens ao lançar uma versão movida a diesel, especialmente em um período em que o combustível era subsidiado pelo governo brasileiro, tornando-se uma opção econômica para frotistas e transportadores.
A marca utilizou uma tecnologia europeia ao implementar um motor diesel de 1,6 litros, da mesma família de motores utilizados em outros modelos Volkswagen. O motor, naturalmente aspirado e sem turbocompressor, entregava apenas 50 cv de potência e 9,7 mkgf de torque, números considerados modestos mesmo para a época.
O desempenho da Kombi Diesel apresentava problemas significativos, especialmente em situações que exigiam maior potência, como subidas ou ultrapassagens. Essa limitação se tornava ainda mais crítica nas versões de carga, onde o conjunto mecânico enfrentava dificuldades em lidar com o peso máximo transportado. Os relatos de superaquecimento eram frequentes, especialmente em dias quentes e com carga elevada, uma vez que o sistema de arrefecimento líquido não conseguia atender às demandas necessárias.
Além disso, a Kombi Diesel tinha um custo aproximadamente 30% superior em relação às versões equipadas com o motor boxer refrigerado a ar, que ofereciam maior potência e torque. A única vantagem real dessa versão era o menor consumo de combustível, mas a economia não compensava o alto investimento inicial e as dificuldades de manutenção.
Entre 1981 e 1985, a Kombi Diesel vendeu cerca de 13 mil unidades, enquanto as versões tradicionais com motor refrigerado a ar ultrapassaram 128 mil unidades comercializadas no mesmo período. Essa disparidade deixou evidente a rejeição do mercado à versão diesel.
Diante do fraco desempenho comercial, a Volkswagen decidiu retirar rapidamente a Kombi Diesel de sua linha. Com o passar dos anos, muitos dos poucos exemplares que restaram tiveram seus motores originais substituídos por opções mais robustas e confiáveis, tornando-se comuns as adaptações com motores diesel de outras aplicações ou até mesmo motores a gasolina.
A Kombi Diesel se tornou um exemplo clássico de um produto que parecia promissor, mas que falhou em atender às expectativas do mercado. Embora sua proposta fosse excelente, a execução não alcançou o nível necessário, resultando em um dos fracassos comerciais mais memoráveis da história da Kombi no Brasil.






