Desde 2017, marcas chinesas e indianas ampliam participação no mercado brasileiro de motos. Entradas como Bajaj (2022), Zontes (2023) e CFMOTO (2026) intensificam a pressão sobre Honda e Yamaha.
O mercado brasileiro de motocicletas tem observado uma expansão significativa de marcas orientais desde 2017. Fabricantes chinesas e indianas, como Haojue e Royal Enfield, iniciaram sua trajetória no Brasil, e esse movimento se intensificou nos últimos anos com a chegada de novas marcas como Bajaj em 2022, Zontes em 2023 e a mais recente CFMOTO em 2026. Essa dinâmica de mercado tem gerado um aumento na concorrência e suscitado discussões sobre a possível ameaça que essas marcas representam para as tradicionais fabricantes japonesas, como Yamaha e Honda, que já estão estabelecidas no Brasil desde antes dos anos 2000.
Atualmente, a Honda detém 63,73% de participação no mercado nacional de emplacamentos de motocicletas, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Contudo, essa participação tem diminuído com o passar dos anos, uma vez que a fabricante já chegou a ter mais de 85% de participação no mercado. Por outro lado, a Yamaha mantém uma participação de 13,70%, um percentual que tem se mantido relativamente estável ao longo das décadas.
De acordo com o especialista em mercado e criador de conteúdo Seku Mello, as marcas dominantes estão perdendo participação, mas isso não é um problema imediato.
destaca Mello.“Elas estão perdendo market share, mas continuam aumentando o volume de vendas. Ou seja, vendem mais motos hoje do que vendiam antes. O mercado brasileiro cresceu muito. Então, mesmo com uma fatia menor, o número absoluto de motos comercializadas aumentou”,
A Honda CG 160, por exemplo, permanece como a campeã de vendas no mercado nacional desde sua introdução em 1976. A participação de mercado, que é a porcentagem que cada marca possui dentro do segmento, mostra que, apesar da queda percentual, o número absoluto de emplacamentos registrou um aumento significativo: de 717.137 em 2003, quando a Honda detinha 83,73% de participação, para 1.468.229 unidades em 2025, com uma participação reduzida a 66,82%.
Esse fenômeno de perda de participação é visto como uma resposta natural ao aumento da concorrência, onde mais marcas entram no Brasil, oferecendo aos consumidores uma variedade maior de opções.
acrescenta Mello.“Quanto maior o número de marcas no país, mais empresas irão ‘repartir a pizza’”,
No cenário global, a situação pode ser mais complexa. Um diretor da Honda expressou preocupação com a velocidade de evolução da indústria chinesa, apontando que as fabricantes japonesas estão enfrentando dificuldades para acompanhar o ritmo acelerado de inovação.
afirmou. Mello sugere que, se essa tendência continuar, a participação da Honda pode cair para algo entre 30% e 40% no futuro.“As fabricantes japonesas levam cinco ou seis anos para desenvolver um produto. Os chineses colocam uma moto no mercado, observam o resultado, retiram de linha se não funcionar e rapidamente lançam outra”,
A Honda, com 76 anos de atuação global e 50 anos no Brasil, mantém uma rede sólida com mais de 1.300 pontos de venda e manutenção, destacando sua qualidade e estrutura consolidadas. Enquanto isso, marcas como a Shineray têm introduzido modelos diversos, mas enfrentam desafios como a acusação de fraudar testes de emissões. Além da Shineray, a CFMOTO, recém-chegada ao Brasil, é vista como uma possível concorrente, embora ainda esteja em fase inicial de estabelecimento no mercado.
As marcas indianas, como Royal Enfield e Bajaj, também entram nesse cenário competitivo, trazendo experiência e robustez ao mercado. O Brasil, portanto, observa um panorama em transformação, onde a luta pela preferência dos consumidores está cada vez mais acirrada.








