A fabricante britânica apresentou a proposta a revendedores nos EUA para substituir o visual minimalista por ambientes de alto luxo. Cada concessionária foi informada de que deve investir ao menos R$ 5 milhões na reforma.
A McLaren quer que a compra de um supercarro pareça menos com uma visita a uma loja de eletrônicos e mais com uma experiência de boutique de alto luxo. Em reunião reservada com sua rede de concessionárias nos Estados Unidos, a fabricante britânica apresentou um plano que troca as atuais lojas minimalistas por ambientes de boutique sofisticados, e cobra de cada revendedor pelo menos R$ 5 milhões para a reforma.
Revendedores presentes, sob condição de anonimato, descreveram a nova identidade visual e de atendimento da marca. A proposta abandona o branco clínico das vitrines atuais em favor de uma ambientação com acabamentos em madeira, tons terrosos e iluminação quente, além de toques do laranja papaya herdado das pistas. A configuração prevista inclui uma recepção central cercada pelos carros, dispostos em ilhas, e salas privadas para atendimento a clientes em processo de fechamento de negócio.
Um dos revendedores resumiu a nova identidade assim:
as lojas devem lembrar pontos de venda de Gucci, Louis Vuitton e Burberry
Segundo um dos revendedores ouvidos, o objetivo não é afastar o comprador interessado em detalhes técnicos — motor, câmbio e fibra de carbono —, mas atrair quem valoriza a experiência de loja tanto quanto a ficha técnica. A expectativa é que a capacidade de pós-venda cresça pelo menos 25%.
Além do redesenho das lojas independentes, a McLaren planeja abrir cinco centros próprios nos Estados Unidos — em Nova York, Miami, Dallas, Los Angeles e Las Vegas — com foco em eventos, personalização e cultura de marca mais do que em vendas tradicionais. A estratégia mira o mercado norte-americano, responsável por mais da metade das vendas globais, e ocorre após a entrada do controle da empresa pela CYVN Holdings, de Abu Dhabi, que deu fôlego financeiro à marca.
No catálogo, a promessa é de pelo menos um lançamento por ano até 2028, incluindo um utilitário esportivo de quatro portas, um grand tourer de motor dianteiro e uma linha de supercarros ligados à história da marca. O hipercarro W1, de 1.275 cv e US$ 2,1 milhões (cerca de R$ 10,86 milhões), já abriu a fila.
O próximo modelo anunciado é o P34, cupê híbrido de motor central previsto para o fim do verão do Hemisfério Norte de 2027, entre agosto e setembro. O conjunto traz motor V6 biturbo desenvolvido internamente, com 821 cv e 110,6 kgfm. Participantes da reunião descreveram a dianteira em cunha inspirada no McLaren F1, cobertura de vidro temperado sobre o motor e bancos em couro Nappa e anilina.
O preço inicial estimado para o P34 é de US$ 313 mil, cerca de R$ 1,62 milhão, com mil unidades previstas no primeiro ano — quase 50% a mais que as cerca de 2.200 entregas globais de 2025. A nova rede de lojas e os centros próprios fazem parte de uma estratégia integrada de produto, imagem e serviço que a marca pretende consolidar nos EUA.







