O uso das centrais multimídia nos automóveis se tornou um hábito comum entre os motoristas, especialmente com a popularização de telas grandes. No entanto, mexer na central enquanto dirige pode resultar em multas e pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A distração gerada por sistemas como Android Auto e Apple CarPlay pode afetar o tempo de reação do motorista de forma mais significativa do que o consumo de álcool ou o envio de mensagens de texto.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), conduzir com um equipamento gerador de imagens voltado para o motorista pode acarretar multas severas e até a retenção do veículo. Embora as telas não sejam proibidas, a central multimídia não pode reproduzir vídeos de streaming, como YouTube ou TV digital, enquanto o carro estiver em movimento. Essa infração é classificada como grave, resultando em uma autuação de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.
As resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) exigem que as centrais multimídia de fábrica tenham um bloqueio automático que interrompe a exibição de vídeo assim que o veículo começa a se mover. Essa medida é eficaz, mas alguns desbloqueios paralelos permitem que o entretenimento continue sendo reproduzido mesmo com o carro andando.
Dirigir com o celular espelhado na tela para realizar tarefas complexas, como digitar mensagens, é considerado uma infração gravíssima, conforme o artigo 252 do CTB, resultando em multa de R$ 293,47 e sete pontos. Essa prática é equiparada ao uso do celular em mãos. O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito define que “interagir com quaisquer das funções do aparelho por meio da tela ou de tecla” configura infração.
A legislação não menciona especificamente o termo “central multimídia”, mas a fiscalização pode ocorrer com base em artigos que tratam da desatenção ao volante. O artigo 169 do CTB, por exemplo, pune a direção sem atenção ou os cuidados necessários à segurança, resultando em uma multa leve de R$ 88,38 e três pontos na habilitação do condutor. Dirigir com uma das mãos fora do volante caracteriza essa infração, assim como procurar objetos no carro ou conversar distraidamente com os passageiros.
O artigo 252 também proíbe o uso de fones de ouvido conectados a aparelhos sonoros ou manuseio do telefone celular, e mesmo sem citar centrais multimídia, considera esses dispositivos como smartphones e tablets. Ter esses aparelhos em mãos ou em suportes resulta em uma infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na carteira.
Pesquisas indicam que muitos carros modernos eliminaram botões físicos para funções essenciais, forçando os motoristas a desviar a atenção da estrada com mais frequência, aumentando o risco de acidentes. Um estudo realizado pela organização britânica IAM RoadSmart, a pedido da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), revelou que o uso de interfaces espelhadas prejudica significativamente o tempo de reação. Os motoristas podem tirar os olhos da estrada por até 16 segundos ao operar uma tela sensível ao toque, reduzindo o tempo necessário para reagir a um imprevisto em cerca de 50%.
Considerando que o tempo médio de reação de um condutor atento é de 0,75 segundo, essa perda de atenção representa um sério risco à segurança. A agência de segurança viária americana NHTSA aponta que distrações são responsáveis por 80% dos acidentes de trânsito. Além disso, o estudo britânico também identificou que a seleção de músicas em aplicativos, como o Spotify, leva a uma reação ainda mais lenta dos motoristas, independentemente do sistema operacional usado no painel, aumentando o desvio de trajetória dentro da faixa de rolamento.







