Lançada em maio de 2010 sobre a plataforma do 207, a compacta prometia caçamba de 1.150 litros e mais de 700 kg de carga útil. Vendas fracas e falta de apelo fizeram a marca encerrar o modelo após quatro anos.
Era maio de 2010 quando a Peugeot reuniu jornalistas especializados para apresentar ao mercado brasileiro sua picape compacta Hoggar. Baseada no Peugeot 207, a Hoggar aproveitava a dianteira mecânica do hatch e ganhou na traseira uma caçamba com capacidade próxima de 1.150 litros e carga útil superior a 700 quilos, dependendo da versão, configurando-se como concorrente de Fiat Strada e Volkswagen Saveiro no segmento de compactas.
No papel, o projeto parecia alinhado com as demandas do mercado: visual moderno, mecânica já conhecida e boa capacidade de carga. Na prática, entretanto, a Hoggar enfrentou problemas que se agravaram precisamente pelo uso em condições de trabalho pesado, para as quais o modelo deveria estar preparado.
A picape chegou equipada com duas opções de motorização. A primeira era o 1.4 Flex de oito válvulas, com potência de até 82 cv. A segunda era o 1.6 16V, com potência próxima de 113 cv. Ambos os conjuntos já eram utilizados em outros modelos da marca, mas na Hoggar foram submetidos a esforços mais severos quando o veículo trabalhava carregado próximo ao limite de sua capacidade.
A versão 1.4, que acabou sendo a mais vendida, ganhou notoriedade por problemas na junta do cabeçote. Em uso mais severo, eram relatados vazamentos de líquido de arrefecimento e episódios de superaquecimento, situando o veículo em oficina e gerando prejuízos para quem dependia da picape como ferramenta de trabalho. As unidades com o motor 1.6, embora sofressem menos com juntas, exibiam outra fragilidade: a transmissão. A maior potência e torque transferiam mais esforço ao câmbio e, sob uso constante com carga, diversos proprietários relataram desgaste prematuro de rolamentos internos, ruídos e necessidade de desmontagem e reparo.
Além das questões mecânicas, havia queixas reincidentes sobre falhas elétricas e desalinhamentos da tampa traseira da caçamba quando o veículo era carregado. Esses problemas tornaram evidente que a Hoggar não alcançava a robustez exigida por usuários que submetiam a picape a rotina de trabalho.
Os números refletiram a perda de apelo comercial. No primeiro ano cheio no mercado, a Hoggar vendeu mais de 5.000 unidades, mas as vendas caíram rapidamente. Em 2014, quando saiu de linha, o modelo já comercializava menos de 400 exemplares por ano, totalizando cerca de 20.000 unidades ao longo de sua trajetória. Para efeitos de comparação, a Fiat Strada atingia volumes equivalentes em poucos meses.
A trajetória da Hoggar tornou-se um exemplo de produto com conceito adequado ao segmento, mas cuja execução técnica e de qualidade ficou aquém das exigências do mercado brasileiro de veículos utilitários leves. Problemas mecânicos, falhas de qualidade e reputação comprometida fizeram com que a picape deixasse de competir de forma consistente com Strada e Saveiro.






