O Piano Boot (porta-malas bipartido com tampa lateral e articulação em balanço) é testado para garantir vedação, estética e durabilidade. O conversível elétrico de dois lugares chega em 2028.
A Rolls‑Royce vai abrir e fechar até 15 mil vezes o porta‑malas do Projeto Nightingale antes de entregar o conversível elétrico de dois lugares aos primeiros clientes, em 2028. Batizado de Piano Boot, o compartimento tem tampa bipartida que se abre para os lados, apoiada em uma articulação em balanço — solução inédita na marca britânica e projetada para combinar estética, hermeticidade e longevidade mecânica.
Segundo a fabricante, o ensaio busca garantir que o mecanismo funcione sem falhas por gerações. O presidente‑executivo, Chris Brownridge, afirmou que cada detalhe está sendo refinado a um nível extraordinário, inclusive o som do fechamento do porta‑malas após os 15 mil ciclos.
O teste faz parte de um programa global que soma 350 semanas de engenharia. Esse número corresponde ao esforço combinado de equipes e protótipos, e não à duração cronológica do programa. Como parte da validação, os carros passarão por estradas costeiras do Mediterrâneo, pelo Círculo Polar Ártico e pelos desertos da Península Arábica, além de rodar a até 2.750 m de altitude e enfrentar grandes variações de temperatura — condições pensadas para simular uso em todas as regiões onde compradores costumam levar automóveis de alto luxo.
Antes de chegar às vias públicas, o projeto, em desenvolvimento há quase três anos, acumulou mais de 1.430 horas de trabalho aerodinâmico, entre simulações digitais e sessões em túnel de vento. Em uma pista privada, os protótipos vão chegar a 250 km/h, enquanto os engenheiros avaliam, entre outros pontos, o ruído do vento na cabine e a estabilidade aerodinâmica com a capota aberta ou fechada.
A capota conversível também passa por avaliações específicas. Com revestimento acústico que combina caxemira, tecido e compósitos de alto desempenho, ela será submetida a dez testes que analisam o material, o mecanismo de fechamento e o funcionamento em temperaturas de até 80 °C. A fabricante desenvolveu ainda um defletor de vento elétrico exclusivo para o Nightingale; o componente foi projetado para impedir a entrada de ar de alta pressão na cabine com a capota aberta e ajudar a reter o calor em climas frios. Ele será testado em diferentes velocidades para otimizar conforto e aerodinâmica.
Revelado em abril, o Nightingale inaugura a Coachbuild Collection, linha de modelos de produção limitada destinada a clientes convidados. Com 5,76 m de comprimento, quase o mesmo do sedã Phantom, o conversível leva apenas duas pessoas. Ele usa a plataforma de alumínio Architecture of Luxury e será carroceriado à mão na fábrica de Goodwood, na Inglaterra. O desenho se inspira nos protótipos experimentais 16EX e 17EX, de 1928.
O nome homenageia Le Rossignol (“o rouxinol”, em francês), casa que Henry Royce construiu para seus projetistas perto de sua residência de inverno na Riviera Francesa e que servia de base para testes pela Europa. Por isso, o programa começa no sul do continente. As 100 unidades já foram vendidas. A Rolls‑Royce não divulga o preço, e as estimativas da imprensa internacional variam de cerca de R$ 24,4 milhões (US$ 4,7 milhões) a R$ 49,2 milhões (US$ 9,5 milhões), na cotação de 25 de setembro.







