No dia 23 de junho de 2026, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) anunciou a renovação das cotas de importação para veículos elétricos e híbridos desmontados. A decisão, que foi alvo de críticas por parte de entidades da indústria automotiva, estabelece novas diretrizes para a importação de veículos eletrificados com imposto zero para os kits CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), que entrarão em vigor em julho deste ano.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) expressou preocupações, alegando que essa medida compromete as regras de previsibilidade do setor. Segundo informações, a fabricante BYD é a principal beneficiada por essa nova política, já que opera uma linha de montagem de carros a partir de kits SKD em sua fábrica localizada em Camaçari, na Bahia.
A liberação das cotas estabelece um teto de importação de US$ 463 milhões (aproximadamente R$ 2,4 bilhões), valor que se mantém igual ao que foi aplicado entre agosto do ano passado e janeiro deste ano. Para as fabricantes que excederem esse limite, o cronograma original de aumento de tarifas se manterá, com a alíquota do imposto de importação subindo para 35% a partir de julho para os kits SKD e em janeiro do próximo ano para os veículos CKD. Até o final de 2026, os kits CKD que ultrapassarem o limite continuarão a sofrer a tarifa de 14%.
Por outro lado, a importação de veículos já montados não teve a isenção renovada, e a tarifa de 35% será aplicada a partir de 1º de julho. Essa mudança poderá encarecer os carros elétricos e híbridos importados, forçando os fabricantes a priorizarem a montagem local. A GWM, por exemplo, indicou que os modelos Haval H6 montados no Brasil terão um custo inferior em relação aos importados da China.
A prorrogação das cotas de importação representa um alívio tanto logístico quanto financeiro para a BYD. O vice-presidente da empresa, Alexandre Baldy, afirmou que o prazo adicional de seis meses já havia sido discutido previamente com o governo. A justificativa da BYD para essa prorrogação é a necessidade de tempo suficiente para concluir as etapas de estamparia, pintura e soldagem em sua fábrica, cujas novas fases estão previstas para serem inauguradas no segundo semestre de 2026.
Com a autorização para importar kits desmontados, a BYD poderá utilizar contêineres convencionais para o transporte, ao invés de depender de navios específicos para automóveis. Essa estratégia, no entanto, gerou descontentamento entre fabricantes que já operam no Brasil e que investem na nacionalização completa da produção, alegando falta de previsibilidade por parte do governo federal. A Anfavea criticou a decisão, considerando-a intempestiva e sem consulta ao setor produtivo, e indicou que a alteração pode prejudicar os R$ 140 bilhões em investimentos prometidos pela indústria automotiva até 2033.
Assim, o governo se vê em uma posição delicada, tentando impulsionar a instalação de fábricas asiáticas por meio de incentivos fiscais temporários, enquanto as montadoras já estabelecidas demandam uma aplicação rigorosa dos impostos para promover a nacionalização imediata da produção.







