Medida publicada em 19 de agosto eleva o limite de crédito e passa a aceitar novos modelos híbridos. Do total de R$ 30 bilhões previstos, o BNDES liberou só R$ 3,44 bilhões (11,3%), beneficiando 33,4 mil motoristas.
O governo federal ampliou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo dos veículos financiáveis pelo Move Brasil, programa de crédito subsidiado voltado a taxistas e motoristas de aplicativo. A mudança foi publicada em 19 de agosto em edição extra do Diário Oficial da União e também incluiu novos tipos de híbridos entre os modelos elegíveis.
A alteração ocorre depois de o programa avançar bem abaixo do previsto. Dos R$ 30 bilhões reservados, o BNDES havia liberado R$ 3,44 bilhões até esta semana, o que corresponde a 11,3% do total. Os recursos chegaram a 33,4 mil motoristas, sendo cerca de 27 mil motoristas de aplicativo e 6 mil taxistas. Apenas 5% desse público são mulheres, grupo que tem direito a taxas de juros menores.
O contraste com a procura inicial é expressivo: mais de 600 mil profissionais haviam se cadastrado na plataforma até o início de junho, mas pouco mais de 5% desse contingente fechou contrato.
O governo atribui parte do gargalo à cautela dos bancos. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Banco do Brasil e Caixa sustentam as operações, enquanto há menos apetite por parte dos bancos privados, mais rígidos na análise de risco dos motoristas.
menos apetite por parte dos bancos privados
O programa conta com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que cobre até 80% de cada financiamento, limitado a 30% da carteira do banco na linha. O fundo só entrou em operação duas semanas após o lançamento, em 19 de junho, o que também impactou o ritmo inicial das contratações.
O secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, Uallace Moreira Lima, reconheceu falhas de comunicação com a categoria sobre o funcionamento da linha.
faltou a gente dialogar melhor com o trabalhador
Com o novo teto, o governo estima que o programa passe a alcançar 88% do mercado brasileiro de veículos, ante 63% pela regra anterior, com base nos emplacamentos de 2025 da Fenabrave. O valor de referência para elegibilidade é o da nota fiscal.
Podem participar taxistas com licença e registro ativos e situação fiscal regular, incluindo cooperados, e motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ao menos 100 corridas no período na mesma plataforma. Não é possível somar corridas de aplicativos diferentes.
As taxas foram fixadas pelo Conselho Monetário Nacional em até 0,99% ao mês para homens e 0,91% para mulheres, equivalentes a cerca de 12,6% e 11,5% ao ano, respectivamente. O prazo chega a 72 meses, com carência de até seis meses. O programa não fixa entrada mínima, que fica a critério do banco, e ter o nome limpo não é exigência formal, embora restrições de crédito possam levar à recusa.
O cadastro é feito pelo portal gov.br, com resposta em até cinco dias úteis. Aprovado nessa etapa, o motorista procura a concessionária ou o banco onde já tem conta para finalizar a contratação. As contratações vão até 15 de setembro, prazo da medida provisória que sustenta o programa, e podem se encerrar antes se os recursos acabarem.





