Novos híbridos e a combustão na China adotam motor 1.5 para se encaixar em faixas de imposto por cilindrada. A tributação sobe por escalões, tornando essa cilindrada mais vantajosa. Elétricos e com célula de combustível são isentos.
Praticamente todos os lançamentos de carros chineses, sejam híbridos ou a combustão, estão adotando motores 1.5. A repetição desse padrão não é coincidência de engenharia ou mero compartilhamento de componentes: a explicação passa pela estrutura de tributação aplicada aos veículos no mercado chinês.
A alíquota de imposto sobre automóveis na China é calculada em faixas de deslocamento volumétrico do motor, com isenção para modelos elétricos ou com célula de combustível. Essa grade tarifária em escalões de cilindrada torna o motor 1.5 especialmente atraente para fabricantes que buscam reduzir custos fiscais sem abrir mão da performance quando há auxílio elétrico.
Tributação por cilindrada na China
- Motores até 1.0: 1%
- Motores de 1.0 a 1.5: 3%
- Motores de 1.5 a 2.0: 5%
- Motores de 2.0 a 2.5: 9%
- Motores de 2.5 a 3.0: 12%
- Motores de 3.0 a 4.0: 25%
- Motores acima de 4.0: 40%
Com alíquota de apenas 3% para motores entre 1.0 e 1.5 litro, a adoção do 1.5 se alinha a estratégias comerciais e fiscais. A tendência é reforçada pelos programas de eletrificação: em híbridos plug-in o motor a combustão costuma operar mais como gerador ou atuar apenas em apoio, permitindo que um propulsor menor suporte veículos maiores sem penalizar consumo de desempenho.
Esse movimento explica a presença de motores 1.5 em SUVs de grande porte, muitos com peso acima de duas toneladas. Há, no entanto, exceções para veículos muito pesados: alguns modelos próximos de três toneladas, como o Jetour G700, já adotam motores 2.0. Unidades com mais de 2 litros são raras no mercado chinês.
Entre as exceções citadas estão os V6 3.0 biturbo da GWM, usados nos jipões Tank 500 e Tank 700; a mesma fabricante está desenvolvendo um V8 4.0 para um superesportivo. A Volkswagen também projetou um VR6 2.5 turbo destinado especificamente ao mercado chinês, com potência similar à de um 3.6 aspirado.
Há casos em que motores maiores são reservados apenas para exportação: o 1.6 turbo da Chery, presente nos Tiggo 7 e Tiggo 8 em mercados externos, não está disponível no mercado interno chinês, onde a marca privilegia o 1.5 e conjuntos eletrificados.
Além da vantagem fiscal, fabricantes chineses têm lançado novas gerações de motores 1.5 que buscam eficiência térmica de até 40%, reforçando a aposta na combinação entre motores compactos e sistemas eletrificados para equilibrar desempenho, consumo e carga tributária.
Em suma, a predominância do 1.5 nos lançamentos chineses resulta de um alinhamento entre política fiscal por faixa de cilindrada, evolução tecnológica dos motores e a estratégia de eletrificação adotada pelas montadoras.





