O sedã que lançou a divisão de luxo da Toyota sacudiu o mercado em 1989 e provou que a marca podia enfrentar os europeus. Iniciado por Eiji Toyoda em 1983, o projeto mobilizou milhares de técnicos com metas ambiciosas.
O Lexus LS400 foi o sedã que marcou a estreia da divisão de luxo da Toyota e mudou referências no segmento executivo ao chegar ao mercado em 1989. Desenvolvido para provar que a Toyota era capaz de competir com os principais fabricantes europeus, o LS400 nasceu de um projeto ambicioso iniciado em 1983 sob a liderança de Eiji Toyoda, com metas claras: superar os rivais em aerodinâmica, silêncio a bordo, velocidade máxima e economia de combustível.
O programa envolveu uma estrutura técnica colossal: 60 designers, 1.400 engenheiros organizados em 24 equipes, 2.300 técnicos e mais de 200 funcionários de suporte. Para validação, foram produzidos 450 protótipos do carro e 900 do motor, que acumularam 2,7 milhões de quilômetros de testes até o carro atingir suas formas definitivas em 1987 e seguir para as etapas finais de durabilidade até o lançamento no início de 1989.
Técnica e engenharia foram pilares do projeto. O motor V8 4.0 inédito, batizado 1UZ-FE, foi projetado com diâmetro maior que o curso para favorecer funcionamento mais suave. Esse V8 entregava 260 cv e 36 kgfm; a aceleração de zero a 100 km/h ficava em 8,5 segundos e a velocidade máxima era de 250 km/h. A transmissão automática de quatro marchas trazia controle eletrônico, um componente inovador para a época.
No acabamento e em equipamentos, o LS400 também mirou o topo do mercado: regulagem elétrica na coluna de direção e nos cintos de segurança, painel eletroluminescente com efeito holográfico, suspensão a ar, sistema de som Nakamichi e integração de telefone celular. No Japão, o modelo era vendido como Toyota Celsior e podia ser oferecido com GPS.
O plano comercial previa vendas de 50.000 unidades por ano, das quais 40.000 seriam no mercado norte-americano. Apesar das aspirações de volume, cada unidade do primeiro LS400 gerava prejuízo para a Toyota; a marca absorvia esse custo com as vendas de modelos de grande volume, como Corolla, Camry e Hilux.
O impacto do LS400 não se limitou aos clientes: a Mercedes-Benz, que trabalhava em uma nova geração do Classe S para 1989 e desenvolvia um motor V12 em resposta ao BMW 750i, comprou um LS400 e teve seus engenheiros surpreendidos pela precisão de montagem e pelo isolamento acústico. A pressão levou a Mercedes a adiar o lançamento do novo Classe S em 18 meses para ajustes e finalização do V12, com custos adicionais estimados em US$ 1 bilhão. As perdas afetaram mais o balanço da Mercedes, que só conseguiu se reerguer plenamente ao longo da década seguinte.
Fora do mercado e das planilhas, o LS400 também entrou na cultura popular: para muitos, ficou conhecido como o carro que aparece na fase bônus do jogo Street Fighter II, onde o jogador precisa destruí-lo — um detalhe que reforçou a imagem icônica do sedã.









