A Sociedade Chinesa de Engenheiros Automotivos usou IA para vasculhar 120 mil artigos e 300 mil patentes antes de divulgar a lista. As tecnologias abrangem baterias, eletrônica, integração de sistemas e conectividade veicular.
A indústria automotiva chinesa divulgou uma lista com dez tecnologias que devem ser decisivas para os carros a partir de 2027. A lista foi apresentada nesta quarta-feira (28) por Zheng Yali, vice-secretária-geral da Sociedade Chinesa de Engenheiros Automotivos (China-SAE), no congresso anual da entidade em Suzhou. Segundo a imprensa chinesa, a seleção usou inteligência artificial para vasculhar 120 mil artigos científicos e 300 mil patentes.
O conjunto reúne avanços em baterias, eletrônica, integração de sistemas, conectividade veicular e processos industriais. Em várias frentes, a expectativa é que soluções antes restritas a projetos-piloto ou modelos de alto custo comecem a migrar para produção em pequena escala ou linha-piloto já em 2027.
Tecnologias apontadas para 2027
- Bateria de estado sólido: Substitui o eletrólito líquido por material sólido, reduzindo risco de incêndio e ampliando a faixa térmica de operação. As células previstas têm 400 Wh/kg, contra 180–300 Wh/kg das baterias atuais. A expectativa é entrada em linha-piloto em 2027. Grupos como Changan e Chery antecipam autonomia de até 1.500 km em alguns projetos com esse tipo de célula.
- Chip de código aberto (RISC-V): Microcontroladores que comandam freio, motor e sistemas de segurança devem adoptar em larga escala a arquitetura RISC-V, de código aberto, evitando royalties de arquiteturas proprietárias como as da Arm.
- Controle integrado de movimento: Um comando único (comparado pela imprensa chinesa a um “cerebelo”) integra aceleração, freio, direção e suspensão, melhorando a estabilidade em manobras bruscas e possibilitando migração dos sistemas dos modelos caros para os mais acessíveis.
- Vehicle-to-Grid (V2G): Carros elétricos enviarão energia de volta à rede nos picos de demanda. A estimativa é que, coletivamente, veículos com V2G possam oferecer ordem de 1 milhão de kW, o que equivaleria a cerca de três quartos da potência da usina nuclear Angra 2.
- Peças fundidas em magnésio: Componentes como o assoalho traseiro e a tampa do porta-malas começarão a ser produzidos em uma única peça fundida de magnésio, metal cerca de um terço mais leve que o alumínio, gerando redução de massa próxima a 20% e maior rigidez torsional.
- Comboio de caminhões autônomos: Operações em que um caminhão com motorista lidera e outros veículos seguem de forma autônoma serão testadas em grande escala, com foco em minas e portos; há empresas chinesas já usando comboios em operações de carga, como transporte de carvão na Mongólia Interior.
- Motor in-wheel (dentro da roda): Motores elétricos instalados em cada roda eliminam eixos e transmissão, liberando espaço e permitindo controle individual de torque. A solução tem origem histórica, com projetos desde 1900 e aplicação em veículos lunares das missões Apollo 15, 16 e 17.
- IA embarcada sem dependência de internet: Assistentes com modelos locais de 14 bilhões de parâmetros rodando no próprio veículo prometem dobrar a capacidade dos sistemas atuais, garantindo respostas mesmo sem sinal de celular e reduzindo o envio de dados do motorista para a nuvem.
- Conexão com a infraestrutura (semáforos): Assistência à condução conectada trocará dados com a rua e a nuvem, permitindo ao carro prever a cor do semáforo e detectar obstáculos em pontos cegos de cruzamentos. A tecnologia deve começar a sair de fábrica em pequenos lotes em 2027.
- Peças metálicas impressas em 3D: Impressão 3D em metal viabiliza componentes complexos e leves sem moldes. A técnica já foi aplicada em hipercarros como o Czinger 21C, com parte do chassi e suspensão produzidas por manufatura aditiva.
O conjunto reflete prioridades técnicas: segurança e densidade energética nas baterias, soberania sobre arquiteturas eletrônicas, integração de controles de dinâmica veicular, uso de magnésio para ganho de massa e indústria 4.0 aplicada a peças e logística. Para fabricantes e fornecedores, a combinação dessas tecnologias pode alterar plataformas, processos de montagem e cadeias de suprimento a partir de 2027, na medida em que projetos-piloto e pequenas séries evoluírem para produção mais ampla.






