São Paulo – A Stellantis deu início, em agosto, ao primeiro centro de desmontagem veicular da América Latina, instalado em Osasco (SP) com aporte de R$ 13 milhões. A operação aceita automóveis sinistrados ou fora de uso, inclusive de outras marcas, para reaproveitar componentes, reciclar materiais e recolocá-los no mercado com rastreabilidade.
Potencial de um setor ainda informal
Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e da Dana Brasil indicam que o mercado de reposição automotiva movimentou R$ 260 bilhões em 2024. Estima-se que cerca de 2 milhões de veículos cheguem ao fim da vida útil todos os anos, mas apenas 1,5% recebe destinação adequada, segundo a Associação Brasileira da Reciclagem Automotiva (Abcar) e o Sindinesfa.
As duas entidades calculam um potencial de R$ 14 bilhões anuais em peças recuperáveis que ainda não são exploradas. No cenário internacional, a remanufatura girou US$ 70 bilhões (aproximadamente R$ 377 bilhões) em 2024, com avanço médio de 9,3% ao ano.
No Brasil, existem pouco mais de 5 mil desmontes homologados e um mercado estimado em R$ 2 bilhões, de acordo com Abcar e Sincopeças-SP. Grande parte das empresas é familiar, sem estrutura padronizada.
Capacidade e preços
O centro da Stellantis pode processar até 8 mil veículos por ano. Segundo a companhia, peças recuperadas chegam ao consumidor por valores em torno de 50% menores que os de componentes novos. Um farol de Jeep Commander, por exemplo, cai de quase R$ 3.500 para R$ 1.500 na loja física e on-line Circular AutoPeças. A montadora afirma que a remanufatura evita o desperdício de até 80% da matéria-prima necessária para produzir uma peça nova.
Além da Stellantis, a Toyota informou que planeja ingressar nesse segmento nos próximos anos.
Regulamentação
A Lei nº 12.977/2014 estabelece credenciamento, rastreabilidade e emissão de notas fiscais pelas empresas de desmanche. Apesar da legislação, a Abcar aponta que apenas São Paulo cumpre integralmente todas as etapas, enquanto Rio Grande do Sul e Minas Gerais têm projetos em implantação.
Etapas do desmonte
O processo praticado pela Stellantis é dividido em cinco fases:
1. Teste de motor e eletrônica – verificação do conjunto motriz e dos sistemas elétricos.
2. Descontaminação – retirada de óleos, combustíveis e fluidos.
3. Desmontagem física – remoção do conjunto motriz, lataria e acabamentos em três sub-etapas.
4. Lavagem – limpeza das peças reaproveitáveis com produtos biodegradáveis.
5. Fotografia e cadastro – catalogação on-line com etiquetas fornecidas pelo Detran.
Após inspeção, componentes recebem nota de 0 a 9: itens de 0 a 4 seguem para remanufatura; de 5 a 9 são vendidos diretamente. Peças de segurança, como airbags, freios e cintos, não são reutilizadas e vão para reciclagem.
Com informações de G1





