Toshihiro Mibe resiste à pressão e segue no comando da Honda. Executivos aposentados se articulam após cancelamento de três projetos elétricos nos EUA.
O presidente e CEO da Honda, Toshihiro Mibe, decidiu permanecer em sua posição, ignorando os pedidos para deixar o cargo, mesmo após enfrentar críticas severas sobre a estratégia de eletrificação da montadora. A pressão sobre Mibe aumentou algumas semanas após o cancelamento de três projetos de veículos elétricos destinados ao mercado da América do Norte, resultando em perdas significativas que somam cerca de R$ 79 bilhões (US$ 15,7 bilhões).
De acordo com informações de uma agência de notícias, um grupo de executivos aposentados da Honda começou a se reunir no final de 2025 para discutir o futuro da empresa. Durante esses encontros, eles expressaram sua insatisfação com Mibe, atribuindo a ele a responsabilidade pelos erros custosos na transição para a eletrificação e pela falta de foco no mercado chinês, um dos mais promissores do setor automotivo.
Um dos participantes das reuniões mencionou que Mibe parecia se concentrar mais nos patrocínios de golfe da marca do que em questões empresariais cruciais. Além disso, os críticos destacaram que o CEO não costuma visitar as fábricas e concessionárias, lugares onde a operação real do negócio acontece, o que é conhecido no Japão como genba.
Em abril, Nobuhiko Kawamoto, ex-presidente da Honda, com 90 anos, foi pessoalmente à sede da empresa para solicitar a renúncia de Mibe. No entanto, o atual CEO reafirmou que não tem intenção de deixar o cargo.
A despeito das preocupações levantadas por membros da velha guarda da Honda, Mibe continua a contar com o apoio do comitê de nomeação do conselho, que agora é composto por mais conselheiros independentes. Esta mudança foi parte de um esforço mais amplo para melhorar a governança corporativa no Japão, visando reduzir a influência de executivos aposentados.
No comando da Honda desde 2021, Mibe aceitou um corte temporário de 30% em seu salário por três meses, após a montadora registrar seu primeiro prejuízo anual em 70 anos. Em resposta à insatisfação do mercado, a Honda está reformulando sua estratégia de eletrificação. Em maio, a montadora anunciou o desenvolvimento de uma nova plataforma que poderá suportar tanto veículos elétricos quanto híbridos.
A Honda também está avaliando as mudanças que podem ocorrer no mercado norte-americano de elétricos com o término do atual mandato presidencial, previsto para janeiro de 2029. Com essa nova estratégia, a montadora planeja lançar 15 modelos híbridos até 2029, incluindo o Honda Hybrid Sedan Prototype e o Acura Hybrid SUV Prototype, já anunciados.





