Quem já percorreu as estradas do Sudeste do Brasil certamente reconhece a cena: após horas de viagem e paisagens repetitivas, surge o icônico letreiro de um posto Graal, oferecendo combustível, banheiros limpos e um restaurante de qualidade. Frequentemente, surge a pergunta: ‘Este posto não era do Gugu?’ A história envolvendo Gugu Liberato e a Rede Graal é uma lenda que ressurge a cada nova menção ao apresentador.
A lenda que circula nas estradas tem a elegância das boas teorias, oferecendo explicações que parecem fazer sentido. O nome ‘Graal’ seria uma sigla para ‘Grupo Alimentício Augusto Liberato’ ou outras versões que incluem as iniciais do apresentador. No entanto, a verdade é que Gugu teve uma participação minoritária em apenas uma unidade da Rede Graal, o que complica a narrativa.
O termo ‘Graal’, ao contrário do que muitos pensam, não é uma sigla. Na verdade, é o substantivo que se refere ao cálice sagrado das lendas medievais, associado à Última Ceia e perseguido pelos cavaleiros do Rei Arthur. A busca pelo Graal na tradição é uma metáfora para a busca por algo precioso e quase inalcançável, um nome apropriado para um ponto de parada em uma viagem.
Os fundadores da Rede Graal, os irmãos portugueses Antônio Eduardo e Manuel da Rocha Alves, trouxeram o conceito de postos de serviço da Europa para o Brasil na década de 1970. Em 1974, abriram a primeira unidade na rodovia Régis Bittencourt, implementando um modelo inovador que ia além da venda de combustível, oferecendo conforto e serviços de qualidade. A Rede Graal se destaca hoje com mais de 60 unidades e um faturamento que ultrapassou R$ 2 bilhões em 2023.
‘Gugu teve participação em um único posto, mas a lenda extrapolou essa realidade’, afirmou um analista.
Embora Gugu tenha, de fato, uma participação de 25% em uma unidade da Rede Graal, localizada na rodovia Presidente Castello Branco, isso é confundido com a propriedade total da rede. O próprio apresentador esclareceu durante sua vida que o nome da rede não tinha relação com ele, e sim com a lenda do Santo Graal. Após sua morte em 2019, seu filho reforçou essa versão em uma entrevista, indicando que a ligação entre Gugu e a rede é muito mais limitada do que o imaginado.
Em suma, a história do Graal e Gugu Liberato é um exemplo de como a combinação de coincidências e a falta de informação podem criar lendas urbanas duradouras. O nome ‘Graal’ remete ao cálice sagrado e não a um artista, e a verdadeira propriedade da rede pertence aos irmãos Alves, enquanto Gugu é apenas sócio de um único posto. Assim, a lenda se perpetua, como a busca pelo próprio Santo Graal, que muitos perseguem sem nunca alcançar.







