O programa financiará veículos com nota fiscal de até R$200.000 e amplia prazo máximo para 84 meses, com carência de até seis meses. A alteração foi autorizada por portaria conjunta e vale desde 1º.
O teto de financiamento do programa Move Motoristas do BNDES subiu de R$ 150.000 para R$ 200.000, considerando o valor da nota fiscal do veículo. A mudança passou a valer desde terça-feira, 1º, e foi autorizada por portaria conjunta dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda, publicada em 19 de agosto em edição extra do Diário Oficial da União.
Além do aumento do limite, o prazo de pagamento também foi estendido: o prazo máximo passou de 72 para 84 meses, já incluída uma carência de até seis meses. As taxas de juros permaneceram inalteradas: até 11,5% ao ano para mulheres e até 12,6% ao ano para os demais motoristas e cooperativas, valores que já embutem a remuneração do BNDES e o spread dos agentes financeiros.
O texto em circulação destaca que o teto do programa não equivale automaticamente ao crédito liberado a cada motorista. O BNDES pode financiar até 100% dos itens financiáveis, mas a instituição financeira que repassa os recursos ao cliente final é a responsável por definir o percentual efetivamente concedido. Em outras palavras, o novo limite amplia o leque de modelos elegíveis, mas não garante o crédito integral para todos os compradores.
Com base nos emplacamentos de 2025 da Fenabrave, a elevação do teto faria com que a fatia de vendas de automóveis que se enquadra apenas pelo critério de preço passasse de cerca de 63% para 88% do mercado. O banco ressalva que esse número não é projeção de operações e que continuam valendo os demais requisitos do programa.
Os critérios de enquadramento dos híbridos foram revistos
Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, afirmou que passam a valer todos os modelos que combinam motor elétrico e propulsor a combustão movido a etanol, gasolina ou ambos. Um levantamento com base no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular de 2026 aponta consumo energético cerca de 24% inferior ao das versões convencionais equivalentes, com variação conforme modelo, motorização e versão.
O efeito prático da mudança apareceu rapidamente no mercado: com o teto mais alto, o programa passou a alcançar SUVs, picapes e modelos eletrificados que antes ficavam de fora. Montadoras atuaram para incluir versões na lista de elegíveis: a BYD emplacou King, Song Pro, Song Pro Flex e Atto 2; a Renault ampliou a oferta do Boreal; a General Motors solicitou a inclusão do Captiva EV, anunciada por R$ 199.990; e a Honda pediu a inclusão das versões turbo do HR-V.
É importante destacar a diferença de benefícios entre categorias: taxistas acumulam ao crédito subsidiado a isenção de IPI e ICMS na compra, reduzindo o preço final; motoristas de plataforma contam apenas com a taxa reduzida, o que pode resultar em diferenças de dezenas de milhares de reais no preço do mesmo carro, dependendo do comprador.
Desde a criação da linha, o BNDES já aprovou R$ 2,2 bilhões em financiamentos destinados à renovação da frota de taxistas e motoristas de aplicativo. Para solicitar o crédito, o motorista ou a cooperativa deve fazer cadastro na plataforma Move Brasil e, se habilitado após a checagem dos requisitos, procurar uma concessionária ou instituição financeira credenciada.





