A startup Revoy (São Francisco) criou um dolly elétrico entre cavalo e semirreboque que reduz CO2 em até 85% sem alterar o motor. Solução permite eletrificar frotas sem trocar caminhões.
A eletrificação de frotas pesadas enfrenta desafios significativos, como o alto custo dos caminhões elétricos, que podem ser duas a três vezes mais caros que os modelos a diesel. Além disso, a autonomia limitada e o tempo prolongado de recarga complicam ainda mais a transição. Para superar essas barreiras sem a necessidade de substituir toda a frota, a startup Revoy, sediada em São Francisco, desenvolveu um dolly elétrico autopropulsionado, que se conecta entre o cavalo mecânico e o semirreboque, prometendo uma redução de até 85% nas emissões de dióxido de carbono, sem modificações no motor.
A Revoy obteve autorização da NHTSA, a agência de segurança viária dos Estados Unidos, em 2023, e completou um piloto de um ano com a transportadora Ryder em 2024. A primeira operação comercial está programada para iniciar ainda este ano em um trecho de 322 km nas proximidades de Portland, Oregon, utilizando quatro unidades construídas a partir de componentes chineses.
O dolly elétrico possui 3,96 metros de comprimento e pesa 9,9 toneladas, carregando uma bateria de fosfato de ferro e lítio (LFP) com capacidade de 575 kWh, equivalente à de um caminhão elétrico completo. Este sistema alimenta um eixo motorizado independente que, ao detectar a demanda de carga, assume parte do esforço de tração, aliviando assim o motor a diesel. Durante as frenagens, o equipamento opera em modo regenerativo, recarregando as baterias e, segundo a Revoy, reduzindo em até 30% a distância de parada.
Com um peso bruto total de 36,3 toneladas, o conjunto pode percorrer mais de 322 km somente em modo elétrico. A instalação do dolly não exige modificações no caminhão ou na carreta, além de contar com sistemas ativos de segurança contra capotamentos e o efeito canivete.
A redução no consumo de combustível é significativa, com a Revoy estimando que o consumo médio de um caminhão pesado possa cair de uma faixa entre 29,4 e 39,2 litros por 100 km para valores entre 6,7 e 11,8 litros por 100 km, podendo atingir 5,9 litros por 100 km em rotas de até 241 km. O CEO da Revoy, Peter Reinhardt, destaca que o custo do combustível representa mais de um quinto das despesas operacionais de um caminhoneiro, e o preço do diesel no varejo americano continua cerca de 40% acima do patamar de US$ 3,80 por galão, antes do atual conflito no Oriente Médio.
Para evitar interrupções devido a recargas prolongadas, a Revoy implementa um sistema de troca rápida: nas bases ao longo das rodovias, o dolly descarregado é substituído por uma unidade carregada em menos de cinco minutos. O hardware não é vendido, pois a Revoy mantém a propriedade dos dollies, cobrando dos operadores uma assinatura por milha rodada.
O mercado potencial é promissor, uma vez que os Estados Unidos têm 3 milhões de caminhões pesados registrados, responsáveis por 6,7% das emissões de gases de efeito estufa do país. Recentemente, a Revoy captou US$ 27 milhões, elevando o total arrecadado para US$ 41 milhões, com planos de desenvolver uma segunda geração do dolly, que será mais acessível e terá uma bateria menor, mas com autonomia equivalente. A meta é ter dezenas de unidades operando em rotas americanas até o final de 2027.







