Entrou em vigor no mês passado, em São Paulo, a lei que retira de síndicos e assembleias o poder de recusar, sem justificativa técnica, pedidos de moradores para instalar carregadores de veículos elétricos em vagas privativas. A nova regra garante o direito de implantação, desde que o proprietário arque com os custos e cumpra todas as normas de segurança e de desempenho elétrico.
Primeiro passo é a análise de carga
Embora o impedimento formal tenha acabado, o processo continua complexo. Toda solicitação precisa ser precedida de um laudo de capacidade elétrica. Durante sete dias, equipamentos monitoram a tensão e o consumo do prédio para determinar quantos carregadores a infraestrutura suporta. Esse levantamento, que passa a ser responsabilidade financeira do condomínio, custa entre R$ 3 mil e R$ 15 mil, segundo Luiz Felipe Santos, gerente-geral da Revo, companhia especializada em eletromobilidade predial.
Com o documento em mãos, o síndico pode aprovar ou negar o ponto de recarga exclusivamente por motivos técnicos. Caso falte potência para estações individuais, a alternativa apontada por administradoras é criar vagas de uso comum abastecidas por um sistema coletivo.
Custos variam conforme a distância até a vaga
Se a rede permitir a instalação, o morador deve contratar o serviço de cabeamento até a garagem. A distância faz diferença: cabos de cinco metros saem por aproximadamente R$ 5 mil; percursos de 100 metros podem chegar a R$ 12 mil. Dependendo da rota, pode ser necessário um “furo técnico” na laje, que exige laudo de engenheiro e pode dobrar o valor total.
Alguns condomínios optam por dividir despesas e padronizar a infraestrutura. Nesses casos, o edifício banca o tronco de cabos até um quadro geral, e cada condômino decide futuramente se completa a ligação. A estratégia reduz custos individuais e evita intervenções repetitivas na estrutura.
Prédios antigos podem enfrentar reforma milionária
Construções mais antigas, com fiação defasada ou transformadores subdimensionados, precisam de modernização completa. Estimativas da Revo indicam que a conta pode superar R$ 500 mil, valor hoje considerado inviável pela maioria das comunidades.
Mercado oferece soluções sem custo inicial ao condomínio
Na tentativa de acelerar a adesão, empresas como a Power2Go propõem instalar toda a infraestrutura sem cobrança imediata. O desembolso fica para cada usuário no momento da instalação individual e na manutenção futura. A iniciativa busca atender, inclusive, edifícios com vagas rotativas ou sorteios anuais.
Regras internas e segurança contra incêndios
Especialistas em direito imobiliário lembram que o condomínio pode criar regulamentos para padronizar equipamentos e exigir ressarcimento por eventuais danos, mas não pode impor exigências desproporcionais. A responsabilização automática do proprietário do veículo por qualquer incêndio, por exemplo, não é permitida sem perícia que indique a causa.
Diretrizes nacionais publicadas pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros em 2025 orientam a instalação dos pontos de recarga. O cumprimento dessas recomendações será verificado na renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Caso os carregadores não atendam aos requisitos, o documento pode ser negado até a regularização.
Para a administradora Lello Condomínios, a tendência é que os bombeiros paulistas exijam, no futuro, laudo de engenheiro responsável confirmando a segurança das perfurações e da rede, assim como já ocorre com geradores de energia.
Demanda deve crescer nos próximos anos
Projeção do Boston Consulting Group, encomendada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), indica que 65% dos automóveis zero quilômetro vendidos no Brasil em 2035 serão eletrificados. O número sinaliza que a preparação das garagens para recarga deixará de ser diferencial e passará a representar necessidade para valorização dos imóveis.
Com informações de G1





