A Mercedes-Benz não pretende adotar a solução dos carros elétricos com extensor de autonomia alimentado por motor a gasolina. Em entrevista ao site americano Motor1, Christoph Starzynski, vice‑presidente de Estratégia e Direcionamento de Produto da marca, afirmou que não vê demanda pela tecnologia entre os clientes da Mercedes.
Segundo a montadora, os híbridos plug‑in da gama, que podem ser recarregados na tomada, já atendem ao uso diário: rodam mais de 100 km apenas com eletricidade, e alguns modelos vendidos na Europa chegam a 124 km de autonomia no modo elétrico. Além disso, esses veículos aceitam recarga rápida em corrente contínua, o que permite repor carga em paradas mais longas, e mantêm o motor a gasolina disponível para deslocamentos de maior alcance.
O extensor de autonomia, classificado por siglas como EREV ou REEV, opera com as rodas sendo acionadas exclusivamente pelo motor elétrico; o motor a combustão atua apenas como gerador para recarregar a bateria quando seu nível de carga cai. No híbrido plug‑in convencional, em contrapartida, o motor térmico também pode transmitir torque às rodas, o que altera o comportamento e a estratégia de uso entre os dois conceitos. Por essa razão, EREVs costumam registrar distâncias maiores em modo elétrico puro quando comparados a híbridos plug‑in.
A tecnologia ganhou espaço no mercado dos Estados Unidos, onde parte dos consumidores tem migrado de elétricos 100% para soluções híbridas com extensor. Mesmo assim, Starzynski manifestou ceticismo: ele duvida que ampliar a autonomia elétrica de cerca de 97 km para 322 km seja suficiente para convencer o cliente da Mercedes a trocar de carro. Para quem busca rodar longas distâncias sem depender do motor a combustão, a montadora aponta os modelos 100% elétricos, que, na avaliação apresentada, precisam oferecer entre 450 km e 644 km de autonomia para serem considerados satisfatórios.
A empresa já fez testes práticos com a ideia. Em 2024 houve desenvolvimento de protótipos do sedã elétrico de luxo EQS equipados com um motor 1.0 de dois cilindros atuando apenas como gerador. O projeto foi encerrado após a conclusão de que o extensor de autonomia é uma tecnologia de transição: gera ganho de vendas em prazo curto, mas eleva o custo de produção.
No mercado brasileiro, soluções com extensor de autonomia estão disponíveis: a Leapmotor, marca chinesa do grupo Stellantis, oferece SUVs C10 e B10 com esse sistema. Antes deles, o BMW i3 também teve versão com extensor de autonomia comercializada no país.





