Exemplar único foi construído sobre a base do GranTurismo e traz lataria de cobre forjada à mão, mesmo sendo mais pesada que o aço. O projeto é do estúdio GFG Style com Fabrizio Giugiaro e estreou no México.
O Peralta D foi uma solução atípica em termos de materiais para carrocerias: ao invés do alumínio e da fibra de carbono usados para reduzir peso, o cupê de quatro lugares recebeu carroceria inteiramente em cobre, um metal mais pesado que o aço. Construído sobre a base do Maserati GranTurismo, o exemplar único teve a carroceria martelada totalmente à mão e foi apresentado no último sábado (24) no Pastejé Automotive Invitational, encontro de carros de coleção no México.
O projeto saiu do estúdio italiano GFG Style, com intervenção do designer Fabrizio Giugiaro, e foi encomendado pelo empresário mexicano Carlos Peralta. Fabrizio é filho do estilista Giorgetto Giugiaro, autor de modelos icônicos como o DeLorean e o Fiat Uno. O proprietário encomendante tem ligação com o metal: preside o Grupo IUSA, cujo negócio mais antigo fabrica cabos, tubos e outros produtos de cobre.
Não houve divulgação oficial de valores por parte da GFG Style. Estima-se que o projeto tenha custado mais de R$ 5 milhões, tomando como referência o Peralta S — modelo de dois lugares com carroceria de alumínio — que foi calculado em mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) por publicações internacionais. Só o Maserati GranTurismo usado como base é cotado em aproximadamente R$ 1,1 milhão na Europa.
Do ponto de vista técnico, o cobre é uma escolha pouco convencional: é mais de três vezes mais denso que o alumínio e cerca de 14% mais denso que o aço, o que explica a raridade de carrocerias inteiras feitas com esse metal. Além disso, a tonelada do metal foi negociada a cerca de R$ 77 mil (US$ 14,7 mil) nesta semana na Bolsa de Metais de Londres, patamar mais de 25% superior ao registrado um ano antes. No Brasil, o preço elevado do cobre também tem relação com o aumento de furtos de fios, que afeta empresas de energia, telefonia e transporte sobre trilhos.
Fisicamente, o cobre ocupa toda a metade inferior da carroceria do Peralta D; a parte superior foi resolvida em vidro espelhado tratado para apresentar tonalidade compatível com o metal. Por baixo da pele metálica há estrutura de fibra de carbono e chassi de alumínio. O carro não tem portas convencionais: uma cobertura em forma de cúpula se abre em um único movimento, solução já vista no Peralta S, que usou como base o Maserati MC20 com carroceria de alumínio. Na traseira, uma abertura em estilo asa de gaivota facilita o acesso aos bancos de trás, recurso inspirado no De Tomaso Mangusta projetado por Giorgetto Giugiaro em 1967.
No acabamento interno, o tema do cobre foi estendido: as costuras dos bancos e do painel foram feitas com fios de cobre genuínos e o couro recebeu efeito metálico no tom da carroceria. O console traseiro integra uma geladeira retrátil para uma garrafa de champanhe e quatro taças de cobre. Do lado do passageiro, o painel incorpora uma estação de maquiagem com tela que se transforma em espelho iluminado — referência ao nome do modelo: o D homenageia as filhas de Peralta e a palavra italiana donne. O Peralta S, por sua vez, havia sido dedicado aos filhos do empresário.








