O Grupo Volkswagen está considerando a possibilidade de abrir o capital da Lamborghini na bolsa e avaliar a venda da Ducati como parte de sua estratégia para levantar recursos, visando a maior reestruturação de sua história. Segundo informações, conselheiros do grupo alemão estão reforçando essas operações, em um momento em que a montadora enfrenta desafios significativos.
No caso da Lamborghini, a empresa pretende manter o controle por meio da Audi, colocando à venda apenas ações ao público. Este movimento é parte de um pacote maior que pode incluir o corte de até 100 mil postos de trabalho e a descontinuação da produção em quatro fábricas alemãs — Hannover, Zwickau, Emden e Neckarsulm. A proposta de reestruturação será apresentada ao conselho de supervisão em 9 de julho de 2026.
O ressurgimento das discussões sobre a abertura de capital da Lamborghini foi impulsionado pela venda da participação majoritária na Everllence, um negócio de motores industriais que deve render à Volkswagen cerca de 7,4 bilhões de euros. A Lamborghini, atualmente uma das poucas marcas do grupo que operam no azul, registrou no primeiro trimestre de 2026 um lucro operacional de 200 milhões de euros e uma margem de 23,1%, com 2.620 unidades vendidas. A Bloomberg Intelligence estima que o valor da marca de Sant’Agata Bolognese ultrapasse 22 bilhões de dólares.
Uma oferta pública inicial (IPO) permitiria à montadora captar capital sem abrir mão do controle, seguindo um modelo semelhante ao da Porsche, que levantou 9,4 bilhões de euros em sua abertura de capital em 2022. A Lamborghini faz parte do portfólio do grupo desde 1998, quando foi adquirida por cerca de 110 milhões de dólares.
Por outro lado, a Ducati está sendo considerada como uma candidata à venda, e não para uma abertura de capital. A fabricante de motocicletas apresentou um lucro operacional de 7 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, com uma margem de 3,5%. Adquirida pela Audi em 2012 por aproximadamente 909 milhões de dólares, a Ducati já havia sido cogitada para venda em 2017, mas o plano foi abandonado.
A Volkswagen não confirmou nem desmentiu os rumores sobre as vendas. Em um comunicado, a montadora afirmou que todas as suas marcas precisam passar por uma transformação profunda, indicando que o modelo de negócio atual já não é viável, mas não comentou sobre documentos internos e confidenciais.
Analistas consultados consideram improvável que o grupo se desfaça de marcas que são consistentemente lucrativas. O número de potenciais compradores para ativos avaliados em dezenas de bilhões é limitado, e representantes dos trabalhadores no conselho já impediram vendas semelhantes no passado. Em 2021, a montadora rejeitou uma proposta de 8,8 bilhões de dólares pela Lamborghini. No entanto, a recente saída da Bugatti, que foi repassada à Rimac, demonstra que o grupo não descarta a possibilidade de cortar laços com marcas de alto desempenho.






