A Honda apresentou as versões hatch e sedã do City 2027, com preços entre R$117.700 e R$156.400. A marca aposta na confiabilidade e no pacote técnico para disputar espaço com SUVs, elétricos e picapes leves.
A Honda lançou a linha 2027 do City nas carrocerias hatch e sedã, com preços que vão de R$ 117.700 até R$ 156.400. Esses valores posicionam os compactos japoneses numa faixa competitiva do mercado, onde convivem SUVs de entrada, SUVs compactos, picapes leves, compactos elétricos, sedãs compactos e até SUVs médios em ações promocionais.
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No contexto de tanta concorrência, o City precisa se apoiar em argumentos consistentes. O principal atributo é o lastro da marca: combinação de confiabilidade, mecânica comprovada, liquidez de mercado e baixa desvalorização — elementos que contribuem para o chamado “custo residual”. Essa imagem foi construída ao longo de mais de três décadas desde a abertura das importações.
Mesmo com a elevação do padrão de qualidade das marcas chinesas — que deixaram a imagem de produtos de baixo custo para assumir posicionamento mais sofisticado — a Honda manteve estabilidade no varejo brasileiro. De janeiro a setembro, a marca licenciou 82.634 unidades, contra 73.570 no mesmo período de 2025, uma alta de pouco mais de 12%, acima dos 8% do total do mercado. A participação encolheu de 4,07% para 3,83% no mesmo intervalo, reflexo do ganho de espaço de concorrentes como BYD, GWM, GAC, Geely e Omoda & Jaecoo.
O City 2027 mantém o conjunto mecânico único da geração atual: motor 1.5 VVT-i de 126 cv e 15,8 kgfm de torque, combinado com transmissão CVT. Esse conjunto também equipa o hatch, o sedã e parte da gama dos SUVs WR-V e HR-V nas versões de entrada. A proposta é atender consumidores que preferem motor aspirado em vez de turbo de três cilindros ou unidades eletrificadas.
O comportamento dinâmico reflete esse acerto: o motor não transforma o City em um veículo esportivo, mas garante boa desenvoltura em cidade e estrada. Por ser aspirado, o pico de torque surge em rotações altas, acima de 4.000 rpm, e a caixa CVT ajusta rapidamente as relações, favorecendo retomadas e ultrapassagens seguras. A suspensão conserva a calibração típica da marca, firme nas curvas e eficiente na absorção de irregularidades.
Os números de consumo medidos pelo Inmetro indicam desempenho satisfatório: no sedã, o City faz 9,1 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada com etanol; com gasolina, são 12,9 km/l e 15,3 km/l, respectivamente.
O pacote de equipamentos se estende das versões LX até Touring, com a RS exclusiva para o hatch. Todos trazem climatização digital, direção elétrica e multimídia com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. O sistema de assistência à condução Honda Sensing passa a ser de série a partir da versão EX; na topo de linha Touring e na RS, o conjunto inclui a função Low Speed Follow no controle de cruzeiro adaptativo (ACC), que mantém o controle da aceleração em velocidades inferiores a 32 km/h.
O acabamento chama atenção pela qualidade dos materiais e, nas versões mais caras, há bancos e painéis revestidos em couro. Ainda assim, a ausência de ajuste elétrico nos bancos é ponto que poderia agregar valor, especialmente quando o preço ultrapassa a faixa dos R$ 150 mil.
Em síntese, o Honda City 2027 se apresenta como um produto equilibrado: motor confiável, consumo competitivo e pacote tecnológico adequado ao segmento. Seu maior diferencial continua sendo a reputação da marca e a fidelidade de parcela importante da clientela, frente a um mercado cada vez mais disputado por novas marcas e formatos de carroceria.









