Honda cancelou três projetos de elétricos e antecipou o desenvolvimento de híbridos HEV para fechar a lacuna do portfólio. O primeiro desse movimento será o novo CR‑V, produzido no Canadá a partir de fevereiro de 2027.
Após cancelar três projetos de veículos elétricos inéditos — incluindo dois modelos previstos para 2026 — a Honda acelerou a sua estratégia de eletrificação focada em híbridos. A marca decidiu antecipar a próxima geração de sistemas híbridos plenos (HEV) para suprir a lacuna no portfólio e não ceder espaço para concorrentes como Hyundai e Toyota. A estreia dessa ofensiva será com o novo Honda CR‑V, cuja produção começará no Canadá em fevereiro de 2027.
O movimento responde à mudança de comportamento do consumidor no mercado norte-americano. Enquanto os elétricos puros perdem tração diante das dificuldades com infraestrutura de recarga, os híbridos ganham força. Nos Estados Unidos, o crescimento de 4% nas vendas da marca foi bancado por um aumento de 9% na procura por veículos híbridos.
Do ponto de vista tecnológico, a fabricante trabalhará com a quinta geração do seu sistema híbrido, que tentará resolver uma fragilidade importante: o custo de fabricação. Segundo apurações de mercado, o conjunto será capaz de reduzir os custos de produção em 30%. O pacote também trará uma melhora superior a 10% no consumo de combustível, o que o torna atraente tanto para a fábrica quanto para o cliente.
Em termos de motorização, o CR‑V manterá um motor quatro cilindros 2.0 com injeção de combustível, porém completamente retrabalhado e acoplado a uma dupla de motores elétricos inéditos. O conjunto receberá o sistema S+ Shift, revelado inicialmente no conceito do novo Prelude. A tecnologia simula eletronicamente as trocas de marcha, buscando devolver sensação de condução mais interativa e reduzir o isolamento provocado pelos câmbios atuais.
O Civic será mais um modelo a usar a nova plataforma e motores mais eficientes. A linha renovada utilizará uma plataforma modular inédita que garante uma redução de massa de 90 kg em comparação à base atual. O projeto também apostará em flexibilidade torcional calculada do chassi, com o objetivo de isolar as imperfeições do piso antes que elas cheguem à cabine.
O comportamento dinâmico receberá reforço do Honda Motion Management System, o novo gerenciador de estabilidade da marca. Através de sensores inerciais que monitoram seis eixos do veículo, o computador central passa a fazer pequenas e constantes intervenções nos freios e no envio de torque elétrico. O resultado prometido é um carro com reações mais naturais e previsíveis em curvas fechadas.
Na meta comercial para a América do Norte, a Honda planeja colocar 15 novos híbridos nas ruas até 2029. O catálogo incluirá um SUV de grande porte com cerca de 5 metros de comprimento e uma variação da Acura baseada no próprio CR‑V. Em escala global, a fabricante pretende triplicar o volume de veículos eletrificados produzidos para 2,5 milhões de unidades ao ano até 2030, com linhas de montagem na Ásia e nos Estados Unidos.







