Importado do México e lançado em 2020, o SUV médio de sete lugares virou opção para famílias. Veja as versões, o motor M282, problemas mais comuns e os custos de manutenção e seguro.
Importado do México, o Mercedes‑Benz GLB beneficiou‑se do acordo de livre‑comércio com o Brasil e chegou em outubro de 2020. Posicionado entre o GLA e o GLC, o modelo foi oferecido como opção para famílias que buscavam um SUV médio premium de sete lugares e rapidamente se consolidou no mercado nacional.
Em 2021 a versão única Launch Edition foi substituída por duas configurações: Advance (entrada) e Progressive (topo), ambas equipadas com o motor M282 e o câmbio 7G‑DCT de dupla embreagem e sete marchas. O conjunto mecânico acelera os 1.555 kg do GLB de 0 a 100 km/h em 10,3 s e, em testes, registra consumo de 10,2 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada.
As dimensões do GLB — 4,63 metros de comprimento, 2,82 metros entre eixos e 1,70 metro de altura — repassam à arquitetura a mesma configuração interna da minivan Classe B, com espaço para terceira fileira de bancos ou até 1.680 litros de carga com os bancos rebatidos. O acabamento é alinhado ao padrão da marca e boa parte das funções é gerida pela central MBUX.
A versão Progressive agrega equipamentos de topo como teto solar panorâmico, rodas AMG aro 19, controle de velocidade adaptativo (ACC) e sistemas de monitoramento de ponto cego e faixa de rolamento. A Advance oferece itens relevantes de conforto e assistência: chave presencial, banco do motorista com ajuste elétrico, frenagem autônoma, faróis full‑LED, multimídia com Android Auto e Apple CarPlay e assistente de estacionamento com sensores e câmera de ré.
Para quem busca desempenho, o Mercedes‑AMG GLB 35 foi ofertado com o motor M260 2.0 turbo de 306 cv, tração integral e aceleração de 0 a 100 km/h em 5,3 s, com velocidade máxima limitada eletronicamente a 250 km/h. Em 2025 o GLB 220 passou a receber um sistema híbrido leve de 48 V, disponível também estendido ao GLB 35; nessa configuração o motor entrega 190 cv acoplado ao câmbio 8G‑DCT e tração integral 4Matic, e as versões passaram a se chamar Progressive e AMG Line.
Na compra de um GLB usado, o planejamento financeiro deve considerar, além do preço de aquisição, o custo elevado de peças e mão de obra em modelos premium, bem como eventuais prazos para reposição de componentes importados.
Principais problemas relatados
- Cabeçote I: o motor M282 usa injeção direta e pode acumular depósitos, o que resulta em marcha‑lenta irregular, aumento do consumo e perda de desempenho.
- Cabeçote II: algumas unidades com motor M260 apresentaram falhas nas válvulas ou guias de válvula, causando perda de compressão; houve extensão de garantia desses componentes em determinados mercados.
- Vazamentos: componentes plásticos e de borracha em periféricos do motor M282 são mais suscetíveis à degradação por ciclos térmicos — recomenda‑se checar mangueiras (PCV, intercooler, turbo), carcaça da válvula termostática, suporte do filtro de óleo, junta da tampa de válvulas, retentores e anéis o‑ring.
- Sistema híbrido: erros de software podem provocar a abertura dos relés de alta potência da bateria de 48 V, isolando o sistema de alta tensão em situações de risco ou falha crítica de dados.
- Recalls: foram identificadas campanhas sobre a fixação dos defletores de ar laterais da tampa do porta‑malas, a fixação dos para‑lamas dianteiros e a parede lateral interna do pneu do lado direito — recomenda‑se verificar pendências antes da compra.
A voz do dono
Nome: Marcela Piloneto — 48 anos — Profissão: empresária — Cidade: Ribeirão Preto (SP)
“Um SUV que engole qualquer buraco, que carrega tudo e todos, que é fácil de estacionar e que consome pouco combustível. E acima de tudo: preserva o status de um legítimo Mercedes.”
“Às vezes o câmbio hesita nas trocas e a multimídia apresenta certa instabilidade. Algumas peças não estão disponíveis na concessionária nem no centro de logística: levam semanas para chegar do México.”
Notas técnicas e conselho de compra
Modelos Launch Edition iniciais mantêm padrão de equipamentos semelhantes à Progressive e podem incluir detalhes exclusivos como soleiras de porta iluminadas. Para compradores interessados em desempenho, o GLB 35 é a opção indicada; para uso familiar e economia, as versões com M282 e o GLB 220 híbrido leve apresentam equilíbrio entre praticidade e consumo.
Em abril de 2021 um teste registrou:
“Com esse tamanho todo, o GLB é até relativamente leve, marcando 1.555 kg na balança. Isso facilita o trabalho do valente 1.3 turbo de 163 cv e do câmbio automático de sete marchas. Ele levou 10,3 s para ir de 0 a 100 km/h em nosso teste, e se na prática não vai ganhar nenhum grande prêmio, no trânsito urbano o GLB vai bem, com boas respostas do conjunto e uma direção leve e direta, que facilita as manobras.”
Ao avaliar um GLB usado, cheque histórico de manutenção, pendências de recalls e o estado de componentes sujeitos a desgaste térmico. A decisão vale para quem prioriza espaço e acabamento premium, desde que o comprador considere o custo de manutenção e eventuais prazos de reposição de peças importadas.
















