Associação que reúne GM, Ford, Toyota e Volkswagen pediu ao Congresso americano lei para barrar importações de veículos da China. O grupo diz que a medida protege investimentos locais e a segurança nacional.
As principais montadoras com operações nos Estados Unidos intensificaram a pressão para que o Congresso americano aprove uma proibição a veículos chineses. A Alliance for Automotive Innovation — que reúne fabricantes como General Motors, Ford, Stellantis, Toyota e Volkswagen — pediu, nesta segunda-feira (2), que a lei seja aprovada antes do fim da atual sessão legislativa, em dezembro.
O argumento central do setor combina proteção de investimentos industriais e segurança nacional. A entidade afirma que os bilhões aplicados em fábricas nos EUA e a infraestrutura de produção doméstica precisam ser resguardados. No núcleo da preocupação técnica está a conectividade dos veículos: sistemas com acesso à internet, câmeras, radares e sensores poderiam, segundo a argumentação, permitir coleta e transmissão de dados sobre motoristas e infraestrutura viária.
Hoje, os Estados Unidos já aplicam tarifas de importação superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses. Além disso, uma regra do Departamento de Comércio adotada no início de 2025 restringe softwares e componentes de origem chinesa em veículos conectados, medida que na prática limita a entrada de modelos chineses no mercado norte-americano. As montadoras defendem que essas medidas administrativas avancem e se tornem legislação federal.
O presidente da Alliance for Automotive Innovation, John Bozzella, citou a Europa como exemplo ao destacar o crescimento das importações chinesas no mercado automotivo global. Segundo a entidade, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos da China nos oito primeiros meses de 2026, número superior ao total do ano anterior.
Em paralelo às preocupações do setor, houve sinais políticos contrários: em setembro, o presidente Donald Trump disse à Fox News que aceitaria montadoras chinesas fabricando carros nos EUA, declaração que reacendeu debate sobre política industrial e segurança.
No plano legislativo, o projeto chamado Connected Vehicle Security Act foi apresentado pelos senadores Bernie Moreno (republicano) e Elissa Slotkin (democrata) e foi aprovado em comissão do Senado em julho. Na Câmara dos Representantes, a versão do texto conta com mais de cem coautores, mas enfrenta prazo apertado: o Congresso retoma os trabalhos na semana que vem, após as eleições de meio de mandato desta terça-feira (3), e a sessão termina em dezembro.
“repressão irrazoável”
A China, por sua vez, rejeita as acusações. O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que pediu aos EUA respeito às regras da economia de mercado e da concorrência justa, e classificou as propostas contra empresas chinesas como “repressão irrazoável”.
No contexto automotivo, a disputa envolve questões técnicas (arquiteturas de software, cadeias de suprimentos de semicondutores e componentes telemáticos), econômicas (investimentos em plantas e efeitos sobre fornecedores locais) e regulatórias (tarifas e controles de tecnologia). Com o calendário legislativo curto, a indústria e o governo dos EUA vão observar de perto os próximos passos do Congresso até dezembro.





